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Para Refletir...

"A questo mais aflitiva para o esprito no Alm a conscincia do tempo perdido." - Chico Xavier

 
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O SCULO XIX.

o espiritaO sculo XIX, entre outros acontecimentos, nos trouxe o Consolador prometido por Jesus. Faamos aqui um parntese, a fim de falarmos um pouco sobre o Consolador que Jesus um dia nos prometeu. Logo aps, voltaremos ao relato dos fatos. Para falar no Consolador, bom voltar no tempo e no espao.
Voltemos Palestina, quando Jesus, vendo aproximar-se o seu retorno para a espiritualidade, assim falou: "Se vs me amais, guardai meus mandamentos e eu rogarei a Meu Pai e Ele vos enviar um outro Consolador fim de que permanea eternamente convosco.

(...) o Consolador, que o Santo-Esprito que o Pai enviar em meu nome, vos ensinar todas as coisas e vos far lembrar de tudo aquilo que vos tenho dito" -(Joo, cap. XlV, v. 15 -17). Pouco tempo aps essa promessa, Jesus volta ao Mundo Espiritual e 40 dias depois, estando Maria, Sua Me, no Cenculo, em companhia dos discpulos, de repente surgem, como se fossem lnguas de fogo que se distribuam pelos discpulos, que a partir da comeam a falar vrios idiomas diferentes e falam tambm das grandezas de Deus. Lembrando as palavras de Jesus, prometendo que mandaria um Consolador, as pessoas, naquela poca, (ainda hoje h quem pense assim), julgaram que aquele acontecimento, que ficou conhecido como a vinda de Pentecostes, era o Consolador que chegava. Mas hoje, no h mais razo para se pensar assim, pois, conforme disse o prprio Jesus, o Consolador teria que atender a duas condies: esclarecer tudo aquilo que naquela poca, em virtude da pouca evoluo espiritual, as pessoas no tinham condies de entender; lembrar tudo o que havia sido esquecido. Ao que se sabe, a vinda de Pentecostes no fez nenhum esclarecimento a respeito dos ensinamentos de Jesus. Os discpulos continuaram a pregar os evangelhos como vinham fazendo, no acrescentando nada de novo, e tambm, como fazia pouco tempo da volta de Jesus para a Ptria espiritual, os seus ensinamentos eram ainda muito recentes, nada havia sido esquecido. Logo, temos todas as razes para afirmar que a vinda de Pentecostes no foi a vinda do Consolador prometido por Jesus; e ao mesmo tempo, temos todas as razes para afirmar que o Espiritismo realmente o Consolador prometido, pois ele o nico que atende s duas condies impostas por Jesus, na ocasio da Sua promessa. O Espiritismo esclarece tudo aquilo que naquela poca no se tinha condies de entender e nos lembra tudo o que, no decorrer dos sculos, foi caindo no esquecimento.

Que ensinamentos foram esses, que naquela poca no foram entendidos?

Reencarnao. Quando Jesus disse a Nicodemos "-em verdade, em verdade, vos digo: ningum pode ver o reino de Deus se no nascer de novo" (Joo, 3: 1 a 12) as Suas palavras no foram bem entendidas. Ainda hoje, algumas pessoas acreditam que, naquela ocasio, Jesus se referia ao batismo.
Mas Nicodemos compreendeu o sentido em que Jesus falou; tanto que ele perguntou: Como pode um homem j velho voltar a entrar no ventre de sua me?
V-se a que Nicodemos entendeu que Jesus estava dizendo: Nascer de novo, mesmo, nascer outra vez. Na parbola do Filho prdigo (Lucas, 15: 11 a 32), Jesus deixa bem claro que teremos uma nova oportunidade, e essa oportunidade a reencarnao. Tambm a, a mensagem no foi entendida. A Lei de Causa e
Efeito. Foram muitas as ocasies em que Jesus se referiu essa Lei. Ao curar o paraltico, Jesus disse: "-Homem, perdoados so os teus pecados". ( Mateus, 9:1 a 8), mostrando assim que aquela paralisia era consequncia de erros do passado, e que j estavam resgatados. Outra ocasio Ele disse: "No julgueis, para que no sejais julgados; porquanto, com o juzo com que julgardes, sereis julgados"; "a medida que usardes para medir vosso irmo, dessa mesma usaro convosco"(Mateus, 7: 1 a 6); Na ocasio em que os soldados chegaram para prender Jesus, Pedro, num gesto impulsivo, feriu um deles, cortando-lhe a orelha.
Ento o Mestre falou: "-Embainha a tua espada Pedro, pois todos que tomarem a espada morrero espada. (Joo, 18: 2 a 12). As pessoas ouviam estas palavras, mas no entendiam o seu verdadeiro sentido. Naquelas ocasies, Jesus nos ensinava que responderemos altura por tudo o que praticarmos. "Lei de Causa e Efeito." Outras frases tambm foram ditas e as pessoas no entenderam. "Na Casa do Pai, h muitas moradas"(Joo: 14: 1 a 31). A, Jesus se referia aos vrios mundos habitados. Ainda hoje, h pessoas que acreditam que s o nosso Planeta
habitado.

"Quem minha me, e quem so meus irmos?" (Mateus, 3: 20, 21). Com estas palavras, Jesus dizia que somos uma famlia universal. Somos todos irmos, filhos de um mesmo Pai.
O Espiritismo esclarece todas estas expresses. Ele nos faz mergulhar nos ensinamentos de Jesus e extrair deles o seu verdadeiro sentido. S o Espiritismo faz isso.

E o que caiu no esquecimento? Tambm a Reencarnao. Os primeiros cristos eram reencarnacionistas. Mais tarde, principalmente aps o surgimento do Catolicismo Romano, quatro sculos aps a vinda de Jesus, essa crena foi ficando esquecida pela grande maioria da humanidade. Foram esquecidas tambm: as prticas socorristas: passe, gua fluidificada, dilogo para orientar e amparar os espritos impuros. O Espiritismo repete tudo aquilo que Jesus fazia. Nas Casas espritas aplicam passes, fluidificam a gua e nas reunies medinicas, em vez do exorcismo adotado, tanto pelo catolicismo, como pelo protestantismo, os espritas doutrinam os obsessores, conscientizando-os para buscarem em Jesus, a ajuda que necessitam para o seu crescimento espiritual.
Os espritas no tratam os espritos obsessores pelo nome de espritos maus.
Sabem que eles so seus irmos. Podem at terem sido seus parentes em outras encarnaes. Eles os chamam de irmos sofredores, infelizes necessitados de apoio e orientao. No adotam o exorcismo. Primeiro, porque no foi isso o que Jesus ensinou; segundo, porque no querem simplesmente expulsar os espritos obsessores, afastando-os para bem longe. Querem ajud-los, orient-los para que saiam do estado de sofrimento em que se encontram, e isso s se consegue com o dilogo, a doutrinao. Foi isso o que Jesus nos ensinou. Como exemplo temos o episdio do obsediado de Gadara quando Jesus dialogou com o esprito
obsessor, perguntando-lhe: "Qual o teu nome?" Ele ento lhe respondeu: "Legio o meu nome, porque somos muitos". (Mat., 8: 28 a 34). Por tudo isso podemos afirmar, com segurana, que o Espiritismo o Consolador prometido, pois atende perfeitamente s condies impostas por Jesus.

Fechando o parntese, continuemos a relatar os fatos, verificando o Divino Mestre a decadncia espiritual das Igrejas mercenrias, que assim agiam em Seu nome, ( do conhecimento de todos o comrcio que as igrejas estavam fazendo, naquela poca, com a venda das indulgncias, uma das causas da Reforma), e verificando que a humanidade j estava amadurecida o suficiente para receber o Consolador por Ele prometido, iniciam-se ento os preparativos para a vinda do Consolador. Em uma das assembleias espirituais, presidida pelo divino Mestre Jesus, foi por Ele destacado um dos Seus grandes discpulos para vir Terra organizar, compilar ensinamentos, oferecendo um mtodo aos estudiosos, a fim de levar a todos o conhecimento dessa Doutrina Consoladora, que foi um dia por Ele anunciada e prometida. Foi com esta misso, que a 3 de outubro de 1804, na cidade de Lion, na Frana, reencarnou Hypollite Leon Denizard Rivail, que mais tarde se tornou mundialmente conhecido pelo nome de Allan Kardec. Segundo os planos do invisvel, o grande missionrio contaria com um grupo de auxiliares, uma pliade de espritos superiores, para coadjuv-lo na sua obra. Veio ento J. B. Roustain, Leon Denis, Gabriel Delane e Camile Flamarion. Todos estes muito cooperaram na Codificao Kardequiana, ampliando-a com os conhecimentos necessrios. Constatando ento que havia chegado o momento, iniciaram-se os fenmenos que atrairiam a ateno do mundo para as manifestaes espritas.
Surgiram na Amrica do Norte, na cidade de Hydesville, os fenmenos de efeitos fsicos, com as irms Fox. Mais tarde, na Frana surgiram as mesas girantes, as quais, no sendo bem compreendidas, logo se transformaram em brincadeira de salo. Foi quando o nosso Kardec, na poca, Hypollite Leon Denizard Rivail, tomando conhecimento desse fato, julgou a princpio que se tratava apenas de magnetismo, porm, logo a seguir, verificou que por trs daquelas mesas havia algo de muito srio, pois elas no s giravam e corriam, mas tambm davam respostas inteligentes. A partir da, comearam os seus estudos, tendo como resultado a codificao da Doutrina Esprita, que, como o nome indica, no foi criada por Kardec, no criao humana, mas a Doutrina dos Espritos.
A comunicao do Anjo a Maria, de que ela seria a me de Jesus, foi uma comunicao medinica de efeitos fsicos: vidncia e audincia. E assim por diante. So vrias as passagens que nos mostram que as manifestaes espritas ou medinicas sempre existiram. Seria ento o caso de se perguntar: por que a importncia to grande dos fenmenos de Hydesville e das mesas girantes? que at a os fenmenos espirituais eram espordicos, no tinham uma sequncia. Consistiam apenas em revelaes, o que fazia pensar que s algumas pessoas tinham condies de receber. Em Hydesville, porm, aconteceu o dilogo e a frequncia, pois eles continuaram a se repetir. As mesas girantes foram tambm um fenmeno que se repetiu frequentemente. Estava assim mostrada a possibilidade do intercmbio com o mundo espiritual, e que todos podem receber estas comunicaes.

O Espiritismo foi codificado na Frana pelo missionrio Kardec mas, semelhana da rvore do Evangelho, inicialmente plantada na Palestina, l no encontrou eco. O Espiritismo, na Frana, no foi aceito nos seus trs aspectos: Filosofia, Cincia e Religio. Na Frana, o aspecto religioso ainda hoje no aceito. A Doutrina Esprita, porm, no prescinde de nenhum destes aspectos, pois se algum deles lhe faltar, ela estar incompleta.

A Histria se repete. Na Frana, o Espiritismo no foi aceito nos seus trs aspectos, mas o Brasil a recebeu integralmente, e hoje, com alegria, nos vemos na condio de o maior Pas esprita do mundo. A Humanidade necessita dessa Doutrina que lhe traz lies to valiosas, pois s os seus ensinamentos conseguem levar o homem a alcanar a sua reforma ntima, aquela reforma que nos ensinou o apstolo Paulo: "que faz morrer o homem velho e despertar o homem novo", que h em cada um de ns. Nessa Doutrina Consoladora, aprendemos a conhecer quem somos, de onde viemos e para onde vamos; aprendemos a amar e a perdoar; aprendemos a fazer o bem sem olhar a quem, aprendemos que fora da caridade no h salvao; e aprendemos tambm que devemos dar de graa o que de graa recebemos.

Mais uma vez a Bahia cumpre o seu papel histrico. Ela o bero do Brasil, pois foi l que Cabral aportou pela primeira vez em nossa Terra, e tambm o bero do Espiritismo organizado no Brasil, pois foi l, mais precisamente na cidade de Salvador, que foi criado por Lus Olmpio Teles de Menezes, em 1865, uma sociedade regida por estatutos, com o nome de "Grupo Familiar do Espiritismo", sendo assim o primeiro e legtimo grupo de espritas no Brasil, e a sua finalidade era divulgar e incentivar a criao de outras sociedades semelhantes pelo resto do Pas. Algum tempo antes disso, em 1853, as manifestaes das mesas girantes entraram no Brasil. Despontaram ao mesmo tempo no Rio de Janeiro, Cear, Pernambuco e Bahia, mas essas atividades eram desenvolvidas em pequenos grupos familiares. As dificuldades foram muitas, mas o dinamismo e o amor de Lus Olmpio Teles de Menezes a tudo superou, e graas ao seu esforo, em julho de 1869, trs meses aps o desencarne de Kardec, surgiu na Bahia o primeiro peridico esprita: "O Eco d'Alm Tmulo". Mais tarde, em janeiro de 1883, Augusto Elias da Silva lana o "Reformador". Essa Revista, centenria, vem sendo mantida permanentemente em circulao, at hoje. Estas e muitas outras iniciativas tomadas pelos espritas daquela poca instalaram definitivamente o Espiritismo no Brasil. Nem todos os espritas modernos conhecem o trabalho intenso dos bandeirantes do espiritismo naquela poca. Lutaram contra as trevas do mundo invisvel, contra o insulto, opinio e a descrena das pessoas, e por muitas vezes foram ridicularizados, mas sempre contando com a ajuda de Ismael e dos seus mensageiros, as dificuldades foram vencidas, e hoje vemos com alegria o Espiritismo a se estender por todo o nosso territrio, e tambm pelo mundo inteiro.


A Misso do Brasil como Ptria do Evangelho
Clia Urquiza de S
( luz da obra "Brasil, Corao do Mundo, Ptria do Evangelho",
de autoria de Francisco Cndido Xavier, pelo esprito Humberto de Campos.)

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