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Para Refletir...

"A caridade um exerccio espiritual... Quem pratica o bem, coloca em movimento as foras da alma." - Chico Xavier

 
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SUMRIO: 1-Introduo. 2-Conceito. 3-Histrico. 4-Teologia Druidica: 4.1- O Sistema Teolgico; 4.2- Exotrico X Esotrico; 4.3-As Trades. 5-Druidismo e Espiritismo. 6-Concluses. 7-Bibliografia Consultada.

1. INTRODUO

Todas as vezes que nos atemos biografia de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, lembramo-nos de suas duas encarnaes passadas: 1ª) Como sacerdote druida, na poca de Jlio Csar, cujo nome era Allan Kardec; 2ª) Como Joo Huss, sacerdote checo da Idade Mdia.

Nosso objetivo discorrer sobre o Druidismo e no especificamente a respeito da linha psicolgica de Allan Kardec. Sendo assim, analisaremos o conceito de Druidismo, o contexto histrico, a teologia trade dos druidas e a analogia com o Espiritismo.

2. CONCEITO

Druida - nome pelo qual era identificado, entre os Celtas, importante grupo social que desempenhava variadas funes, sendo os responsveis por manuteno e guarda dos valores da civilizao cltica. Modernamente, a preferncia etimolgica faz o nome derivar de dru-wid, que significa "sbio". (Azevedo, 1990)

Druidismo - religio dos druidas, sacerdotes pagos dos povos celtas que habitavam a Glia e a Bretanha no perodo anterior ao Cristianismo, mais especificamente entre o sculo II a.C. e o sculo II, d.C. (Castanho, s. d. p.)

3. HISTRICO

O druidismo ocorreu entre o sculo II a.C. e o sculo II d. C. Sobreviveu apenas em algumas regies das Ilhas Britnicas, que no sofreram a invaso romana. Foi, mais tarde, suplantado pelo Cristianismo. A influncia do Cristianismo, no do Cristianismo que se dogmatizou mas do Cristianismo primitivo, foi extremamente valiosa para a organizao desta religio. que a alma crist, sendo mais amante, fornecia os elementos bsicos para equilibrar espiritualmente a alma cltica, por natureza mais viril.

O nome, bem como sua origem, tem sido objeto de vrias interpretaes, cronolgica ou etimologicamente. A sua existncia no foi conhecida dos Gregos seno duzentos anos a. C. Csar descreve o centro do druidismo nas ilhas britnicas, donde teria irradiado para as regies vizinhas da Glia. Plnio, ao contrrio, d o druidismo como originrio da Glia e s depois levado para as ilhas. Finalmente, h quem pretenda que o druidismo foi encontrado j pelos Celtas entre os aborgenes da Irlanda e da Gr-Bretanha. "Camille Jullian, por exemplo, do Colgio de Frana, na sua obra mais recente sobre a Histoire de la Gaule contenta-se em fixar como de 600 a 800 a.C. a chegada dos qumricos Glia, o ramo mais moderno dos celtas. Eles vinham, cr-se, da foz do Rio Elba e das costas da Jutlndia, enxotados por maremotos, o que os obrigou a emigrar em direo do sul". (Denis, 1995, p. 27)

No sendo reconhecidos como magistrados legalmente constitudos, os druidas exerciam funes religiosas, jurdicas, polticas e pedaggicas. Os sacerdotes realizavam seus cultos nos bosques, reverenciando, principalmente, o carvalho. Possuam escrita prpria e o aprendizado da doutrina druidica compreendia vinte anos de exerccios.

Os sacerdotes exerciam cinco funes especficas, dividindo em cinco classes:

1 - os vacios que se encarregavam dos sacrifcios;

2 - os saronidos, encarregados da educao e do cultivo das cincias;

3 - os bardos, poetas, oradores e msicos, que exortavam o povo prtica das virtudes e treinavam os guerreiros;

4 - os advinhos, que previam o futuro;

5 - os causdicos que administravam a justia. (Castanho, s. d. p.)

O druidismo se aplicava sobretudo a desenvolver a personalidade humana, em vista da evoluo que lhe destinada. Ele cultivava as qualidades ativas, o esprito de iniciativa, a energia, a coragem; tudo o que permitia afrontar as provas, a adversidade e a morte com uma incrvel segurana.

Mais recentemente formaram-se confrarias druidicas como as ordens dos Bardos e dos Merlin, em 940. Em 1781 foi fundada a ordem dos druidas de Londres, sociedade secreta que se propunha a fomentar a moral, o patriotismo, o filantropismo e a fraternidade; em 1903, ordens druidicas tambm apareceram em Gales e na Alemanha. Carter folclrico. (Castanho, s. d. p.)

4. TEOLOGIA DRUIDICA

4.1. O SISTEMA TEOLGICO

pouco conhecido o sistema teolgico dos druidas, pois os autores gregos e romanos quando falam dos mitos drudicos os referem s suas prprias teogonias. Para alguns o druidismo fundava-se num pantesmo material cheio de mistrios; para outros, o conhecimento da divindade manifestado pelos druidas no muito diferente na perfeio do conhecimento judaico. (Grande Enciclopdia Portuguesa e Brasileira)

4.2. EXOTRICO X ESOTRICO

No Druidismo, como em toda a religio, havia traos exotricos e esotricos. Os que no se aprofundaram na anlise esotrica, ficaram com a impresso de que o druidismo uma religio primitiva, principalmente por causa dos sacrifcios que impunha. Porm, ao penetrarem no mago, no mbito esotrico, mudaram de opinio, porque vislumbraram uma doutrina reveladora das altas verdades e das leis superiores do Esprito. (Denis, 1995, p. 115)

4.3. AS TRADES

Lon Denis, no captulo VII de O Gnio Cltico e o Mundo Invisvel, faz uma descrio pormenorizada das Trades. Resumamo-la. O corpo da teologia drudica era baseado nas trades. As Trades eram formadas, utilizando-se de trs tipos de ensinamentos, em que cada um completava os outros dois. Seria como o filho numa famlia constituda de pai e me. Quer dizer, para que o filho exista deve existir antes um pai e uma me. Faltando o pai ou a me, o filho no pode vir luz. Nesse sentido, os ensinamentos so transmitidos de forma lgica, em que se atrelando um ao outro, tem-se todo o sistema organizado.

Conforme as "Trades" drudicas h trs fases ou crculos de vida: no annoufn, ou crculo da necessidade, o ser comea sob a forma mais simples; no Abred ele se desenvolve, vida aps vida, no seio da humanidade e adquire a conscincia e o livre-arbtrio; finalmente, no Gwynfyd, ele desfruta a plenitude da existncia e de todos os seus atributos, libertado das formas materiais e da morte, ele evolui para a perfeio superior e atinge o crculo da felicidade.

Sntese das trades: passar do abismo Annoufn para as alturas sublimes do Gwynfyd.

Desta srie de trades, as onze primeiras so consagradas exposio dos atributos de Deus, como vemos a seguir:

DEUS E O UNIVERSO

I - Deus, verdade e ponto de liberdade;

II - Trs coisas procedem de Deus: toda vida, todo bem e todo poder;

III - Deus necessariamente trs coisas: vida, cincia e poder;

IV - Trs coisas Deus no pode deixar de ser: o que deve constituir, querer e realizar o bem perfeito;

V - Trs garantias do que Deus faz e far: poder, sabedoria e amor infinito;

VI - Trs fins principais da obra de Deus: diminuir o mal, reforar o bem e esclarecer toda a diferena;

VII - Trs coisas Deus no pode deixar de conceder: vantajoso, necessrio e belo;

VIII - Trs foras da existncia: no poder ser de outro modo, no ser necessariamente outra e no poder ser melhor pela concepo;

IX - Trs coisas prevalecero necessariamente: o supremo poder, a suprema inteligncia e o supremo amor de Deus;

X - As trs grandezas de Deus: vida perfeita, cincia perfeita, poder perfeito;

XI - Trs causas originais dos seres vivos: amor, sabedoria e poder divino.

OS TRS CRCULOS

XII - H trs crculos de existncia: o crculo da regio vazia (cegant) onde - exceto Deus - no h nada vivo nem morto e nenhum ser que Deus no possa atravessar; o crculo da migrao (abred) onde todo ser animado procede da morte, que o homem atravessou; o crculo da felicidade (gwynfyd), onde todo ser animado procede da vida, que o homem atravessar no cu.

XIV - Trs fases necessrias de toda a existncia em relao vida: comeo em annoufn, a transmigrao em abred e a plenitude em gwynfyd; e sem estas trs coisas nada pode existir, exceto Deus.

Em resumo: a doutrina dos druidas se baseia em trs princpios fundamentais: a eternidade de Deus, a perpetuidade do Universo e a imortalidade das almas.

5. DRUIDISMO E ESPIRITISMO

Allan Kardec, no captulo I do livro segundo de O Livro dos Espritos, descreve a classificao dos Espritos quanto ao grau de desenvolvimento, de acordo com as qualidades adquiridas pelos Espritos como tambm pelas imperfeies de que ainda no se livraram. A analogia com a teologia druidica pode ser feita, bastando acrescentar escala esprita, abaixo da terceira ordem, o crculo de anufn, que caracteriza o abismo ou a origem desconhecida das almas e, acima da primeira ordem, o crculo cegant, morada de Deus, inacessvel s criaturas.

O quadro abaixo mostra esta analogia:

ESCALA ESPRITA ESCALA DRUIDA
  Cegant. Sede de Deus
1.ª ordem 1.ª classe Espritos puros. No mais reencarnao Gwynfyd. Sede dos bem- aventurados. Vida Eterna
2.ª ordem (Bons Espritos) 2.ª classe Espritos Superiores* Abred. Crculo das migraes ou das diversas existncias corpreas, que as almas percorrem para chegar de anufn a gwynfyd.
3.ª classe Espritos Prudentes*
4.ª classe Espritos Sbios*
5.ª classe Espritos Benvolos*
3.ª ordem (Espritos Imperfeitos) 6.ª classe Espritos Batedores*
7.ª classe Espritos Neutros*
8.ª classe Espritos Pseudo-sbios*
9.ª classe Espritos Levianos*
10.ª classe Espritos Impuros*
  Anufn. Abismo; ponto de partida das almas.

* Depurando-se e elevando-se pelas provas da reencarnao.

Fonte de Consulta: Revista Esprita de 1858, p. 111.

6. CONCLUSO

Sintetizando as pesquisas realizadas, deduzimos que o druidismo fonte de muita sabedoria, e que deveria ser motivo de estudo dos espritas, a fim de melhor dimensionar o alcance de suas palavras, quer em tribuna ou nas conversas ao p de ouvido. A absoro destes ensinamentos serviu-nos para enfatizar a crena de que o Espiritismo eterno, ou seja, sempre existiu. Nesse sentido, a misso primordial de Kardec nada mais foi do que juntar o que estava espalhado, de maneira esparsa por toda a face do planeta.

Hoje estamos no sculo XX, considerado mais evoludo do que na Antigidade. Porm nada nos impede de supor Espritos, j naquela poca, mais evoludos do que ns, uma vez que as verdades so eternas e esto disseminadas no espao sideral.

7. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

  • AZEVEDO, A. C. Dicionrio de Nomes, Termos e Conceitos Histricos. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1990.
  • CASTANHO, C. A. Dicionrio Universal das Idias. So Paulo, Meca, s. d. p.
  • DENIS, L.. O Gnio Cltico e o Mundo Invisvel. Rio de Janeiro, CELD, 1995.
  • Grande Enciclopdia Portuguesa e Brasileira. Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopdia, s.d. p.
  • KARDEC, A. O Livro dos Espritos. 8. ed., So Paulo, FEESP, 1995.
  • KARDEC, A. Revista Esprita: Jornal de Estudos Psicolgicos (1858). So Paulo, Edicel.

 

 

 

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