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Para Refletir...

"Colocar-te ás na posição dos que sofrem, a fim de que faças por eles tudo aquilo que te desejarias se te fizesse nas mesmas circunstâncias." - Emmanuel

 
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Patrono do Centro
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O professor utilizava a tribuna do Fé, Esperança e Caridade e o padre João Müsch era o pároco da igreja de Santo Antônio de Jacutinga e havia fundado o Instituto Santo Antônio, I E S A, nos porões da Igreja, em mil novecentos e trinta e cinco por conta do diretor da única escola da comunidade ser espírita,só não se lembrava o pároco que o Colégio Leopoldo não era, e não é, uma escola religiosa e nela nunca se pregou qualquer religião, a não ser o respeito total aos mais diferentes credos. Por conta destas diferenças ideológicas o pároco chegou a notificar o bispo do Rio de Janeiro por carta:

 

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Estas diferenças provocaram um debate na Associação Atlética Filhos de Iguassú, mediado pelo farmacêutico Sebastião Herculano de Mattos, com crônica de José Carlos Manhães para a revista Semana Ilustrada. Este debate, Sensacional Polêmica, estamos transcrevendo:

"À Margem da História.

Encontrara todas as igrejas em ruínas, algumas parcialmente desmoronadas. Dividia o padre João a jornada em sermões e sacramentos e pá de pedreiro iniciando a restauração de todos os templos a um só tempo. Obra de gigante que esse cura já velho não chegou a ver terminada. Empunhando numa das mãos o missal e na outra o "livro de ouro", sem auxiliares, pois era o único padre da freguezia, pastoreou muito tempo seus fiéis sem contestação.

Um dia surgiu-lhe um adversário, porque o destino de todo D.Camilo é ter um Pepone pela proa. Este veio na pessoa de um baiano culto, professor de letras e eloqüente como soem ser os baianos, professor Leopoldo Machado.

Cerimoniosamente, a princípio, um no púlpito, outro na tribuna, tomaram as posições e começou em Nova Iguaçu a luta entre igreja católica e espiritismo. São Pedro e Kardec. Daí por diante, disputariam, aquele as almas e este os espíritos. É claro que a população, como de uso, logo se viu em dois grupos, maior o do padre, mas, se menor o do professor era mais culto, seleto, chamado à religião de ciência.

Ambos citavam os evangelhos, encontrando testemunhos.

Os partidos da reencarnação, além do livro santo (A Bíblia), diziam-se baseados em Flamarion, Leon Denis, Williams CrooKes, Gabriel Delane, A. Conan Doyle. Leopoldo Machado fundou um colégio com o próprio nome. Padre João, fundou outro que entregou a freiras, hoje modelar, ainda existente, denominado Colégio Santo Antônio e uma obra de Caridade. O professor inicia a obra filantrópica Lar de Jesus, um primor de instituição caritativa, a qual posteriormente legaria todos os seus haveres e o próprio colégio.

João reconstrói a matriz de Santo Antônio de Jacutinga, o templo principal, Leopoldo ergue e inaugura, em sobradão, o Centro Espírita Fé ,Esperança e Caridade. O Espiritismo do orador baiano que a princípio pareceu ao sacerdote dos sem maior importância deitara raízes e o padre que nunca se preocupara em erradicar a macumba, o Candomblé, a Umbanda - crendice de pretos - via-se nessa altura com um antagonista perigoso e o que era pior alardeando lógica, doutrina e ciência, no mais escorreito português e afinada eleqüência. 

Leopoldo era um batuta para se comunicar. Adversário sem dúvida para um padre Vieira. Enquanto o reverendo anamatizava com o assustador fogaréu das caldeiras de belzebú, àqueles que seguissem Rustaing, o professor descrevia aos incrédulos, as duríssimas provas de reencarnações obrigatoriamente sucessivas, para os que fechassem os olhos e os ouvidos à nova revelação.

Da rua Marechal Floriano Peixoto até o Centro Espírita, à rua Bernardino de Mello, ia-se a pé em dez minutos, atravessando a estrada de ferro Central do Brasil cancelada em frente ao bar Brasil, do Pascoal Testa, mas, o que o padre falava no púlpito chegava à tribuna do centro com a velocidade da luz , e vice-versa. A coisa em pouco tornou-se um diálogo e difícil de suportar para o padre, quando advertido sobre a excelente capacidade de comunicação do professor, sentiu um estalo e viu surgir a idéia luminosa e salvadora. Fazer vi a Nova Iguaçu um príncipe da palavra e dos mistérios canônicos para medir-se de público e arrazar com o perigoso adversário. Se pensou rápido executou ( com a anuência do bispado), fazendo aportar à terra um astro de oratória eclesiástica.