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Para Refletir...

"Colocar-te s na posio dos que sofrem, a fim de que faas por eles tudo aquilo que te desejarias se te fizesse nas mesmas circunstncias." - Emmanuel

 
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Patrono do Centro
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leopoldomachado2LEOPOLDO MACHADO DE SOUZA BARBOSA, filho de Eullio de Souza e Anna Izabel Machado Barbosa. Irmos Joo Leopoldino, Jos de Calazans, Reginaldo, Emlio e Leopoldina. natural de Cepa Forte, atualmente Jandara no Estado da Bahia. Casou-se com Marlia Ferraz de Almeida.Nasceu pauprrimo, desde cedo dedicava-se ao auxlio do lar, quer no aspecto moral, afetivo ou econmico.Aos doze anos, seu pai ausente , tornou-se o chefe da casa. Tal era seu senso de responsabilidade, seu amor ao trabalho e famlia que sua me, seus irmos lhe obedeciam, embora mais moo.

Desta idade at o fim da vida jamais se separou de sua me. timo filho, timo irmo, timo esposo. Aos dezenove anos ,seu pai,poltico no interior da Bahia, que havia fugido por perseguies polticas; havia voltado, ganhou uma irmzinha. A nica que teve. Foi quem criou e educou esta irm de quem tambm nunca se separou.

Graas a tanta determinao, conseguiu ser depois poeta, jornalista, prosador, teatrlogo, polemista, professor.
Residiu em Nova Iguau, no perodo de 1930 a 22 de agosto de 1957.
Foi o pioneiro do Ensino em Paraba do Sul, fundando a primeira Escola Normal no interior em 1927 no Colgio Nacional.PROFESSOR LEOPOLDO EM MOMENTO DE LEITURA

Na Baixada Fluminense fundando o Colgio Leopoldo em 1 de fevereiro de 1930,junto com sua me, sua irm e sua esposa.
Foi membro da gerao Trianon, que reuna-se na praa Tiradentes para discutir, escrever e compor.
Esprita fervoroso, orador, foi inegavelmente um dos baluartes em sua f. Viajou o Brasil inteiro pregando sua religio.

Dentre suas obras, podemos tambm destacar:

Fundou com sua esposa o Lar de Jesus, em 25 de dezembro de 1940, e o albergue noturno Allan Kardec, nos fundos do C. E. F Esperana e Caridade do qual foi presidente vinte anos, bem como da escola Joo Batista. Tanto o albergue como a escola forma desativados.

Foi o idealizador do 1 Congresso das Mocidades Espritas do Brasil; (filme em 75 mm, vdeo cassete e DVD);


Foi o incentivador do trabalho do jovem e da mulher em sua religio, bem como na escola, provocando uma revoluo nos conceitos da poca, onde o jovem e a mulher no possuam participao efetiva; criao da escola Francisco de Assis, no Lar de Jesus;

Foi o incentivador e auxiliador da criao da Associao de Caridade Hospital Iguau, criando seu estatuto;

Foi um trabalhador incansvel pelo movimento de Unificao Esprita e, podemos afirmar, desencarnou aps enfarte sofrido pelo tremendo esforo despendido na, segundo ele, Caravana da Fraternidade, pois a partir da sua sade no mais voltou a ser a mesma e reduziu drasticamente suas atividades por recomendao mdica.

Foi o idealizador da palavra Lar na utilizao de casas de amparo infncia e velhice em lugar do termo orfanato, ou ainda asilo;

Foi, dentre outros ttulos, membro e fundador da Arcdia Iguauana de Letras, ocupando a cadeira n 1, defendendo a tese Caxias um Eminente Iguauano (seu ltimo trabalho).


CAPA DE "CAXIAS UM EMINENTE IGUASSUANO" (SEU LTIMO TRABALHO)

Seu discurso de posse foi lido por seu cunhado Waldemiro, devido sua enfermidade. Na posse, presena do historiador Pedro Calmon.

FOTO DA POSSE NO SALO DO TRIBUNAL DO JRI DO FRUM ITABAIANA EM NOVA IGUAU - ESTADO DO RIO DE JANEIRO


DA ESQUERDA PARA A DIREITA EM P: NEWTON DE BARROS, RAUL MEIRELLES, LUIZ AZEREDO,
ALCINDO RAPHAEL, DEOCLCIO DIAS MACHADO, ALTAIR PIMENTA, CIAL BRITO, WALDEMIRO 
PEREIRA, HEITOR PINTO DA SILVA, ZILMAR DE PAULA BARROS, SENTADOS: JOO BARBOSA,
FRANCISCO MANOEL BRANDO, RUI AFRNIO PEIXOTO, LEOPOLDO MACHADO, 
PEDRO CALMON, GETLIO MOURA E YBICUY TINOCO DE MAGALHES.

Neste livro lana os seus ideais para Nova Iguau em soneto:

Assinava obras literrias com vrios pseudnimos, dentre os principais destacamos: Pio DAlvarez ou Pio dAlva. Leontina Maria, Lima de Madureira e Jeuville Oliver.

OBRAS PUBLICADAS

Poesias: Meus ltimos Versos; Idias, Iluminao e Guerra ao Farisaismo.

 


Contos: Prosa de Caliban, Conscincia, Para a Frente e Para o Alto e Para o Alto.


IMPRESSO EM 1934


Viagens: Ide e Pregai, Caravana da Fraternidade.


Teatro: Teatro Espiritualista, Teatro Espiritualista II, Teatro da Mocidade.


Polmica: Julga o Leitor por Ti Mesmo; Sensacional Polmica, Pigmeus Contra Gigantes.

 

O professor utilizava a tribuna do F, Esperana e Caridade e o padre Joo Msch era o proco da igreja de Santo Antnio de Jacutinga e havia fundado o Instituto Santo Antnio, I E S A, nos pores da Igreja, em mil novecentos e trinta e cinco por conta do diretor da nica escola da comunidade ser esprita,s no se lembrava o proco que o Colgio Leopoldo no era, e no , uma escola religiosa e nela nunca se pregou qualquer religio, a no ser o respeito total aos mais diferentes credos. Por conta destas diferenas ideolgicas o proco chegou a notificar o bispo do Rio de Janeiro por carta:

 

capa-1

 

Estas diferenas provocaram um debate na Associao Atltica Filhos de Iguass, mediado pelo farmacutico Sebastio Herculano de Mattos, com crnica de Jos Carlos Manhes para a revista Semana Ilustrada. Este debate, Sensacional Polmica, estamos transcrevendo:

" Margem da Histria.

Encontrara todas as igrejas em runas, algumas parcialmente desmoronadas. Dividia o padre Joo a jornada em sermes e sacramentos e p de pedreiro iniciando a restaurao de todos os templos a um s tempo. Obra de gigante que esse cura j velho no chegou a ver terminada. Empunhando numa das mos o missal e na outra o "livro de ouro", sem auxiliares, pois era o nico padre da freguezia, pastoreou muito tempo seus fiis sem contestao.

Um dia surgiu-lhe um adversrio, porque o destino de todo D.Camilo ter um Pepone pela proa. Este veio na pessoa de um baiano culto, professor de letras e eloqente como soem ser os baianos, professor Leopoldo Machado.

Cerimoniosamente, a princpio, um no plpito, outro na tribuna, tomaram as posies e comeou em Nova Iguau a luta entre igreja catlica e espiritismo. So Pedro e Kardec. Da por diante, disputariam, aquele as almas e este os espritos. claro que a populao, como de uso, logo se viu em dois grupos, maior o do padre, mas, se menor o do professor era mais culto, seleto, chamado religio de cincia.

Ambos citavam os evangelhos, encontrando testemunhos.

Os partidos da reencarnao, alm do livro santo (A Bblia), diziam-se baseados em Flamarion, Leon Denis, Williams CrooKes, Gabriel Delane, A. Conan Doyle. Leopoldo Machado fundou um colgio com o prprio nome. Padre Joo, fundou outro que entregou a freiras, hoje modelar, ainda existente, denominado Colgio Santo Antnio e uma obra de Caridade. O professor inicia a obra filantrpica Lar de Jesus, um primor de instituio caritativa, a qual posteriormente legaria todos os seus haveres e o prprio colgio.

Joo reconstri a matriz de Santo Antnio de Jacutinga, o templo principal, Leopoldo ergue e inaugura, em sobrado, o Centro Esprita F ,Esperana e Caridade. O Espiritismo do orador baiano que a princpio pareceu ao sacerdote dos sem maior importncia deitara razes e o padre que nunca se preocupara em erradicar a macumba, o Candombl, a Umbanda - crendice de pretos - via-se nessa altura com um antagonista perigoso e o que era pior alardeando lgica, doutrina e cincia, no mais escorreito portugus e afinada eleqncia. 

Leopoldo era um batuta para se comunicar. Adversrio sem dvida para um padre Vieira. Enquanto o reverendo anamatizava com o assustador fogaru das caldeiras de belzeb, queles que seguissem Rustaing, o professor descrevia aos incrdulos, as durssimas provas de reencarnaes obrigatoriamente sucessivas, para os que fechassem os olhos e os ouvidos nova revelao.

Da rua Marechal Floriano Peixoto at o Centro Esprita, rua Bernardino de Mello, ia-se a p em dez minutos, atravessando a estrada de ferro Central do Brasil cancelada em frente ao bar Brasil, do Pascoal Testa, mas, o que o padre falava no plpito chegava tribuna do centro com a velocidade da luz , e vice-versa. A coisa em pouco tornou-se um dilogo e difcil de suportar para o padre, quando advertido sobre a excelente capacidade de comunicao do professor, sentiu um estalo e viu surgir a idia luminosa e salvadora. Fazer vi a Nova Iguau um prncipe da palavra e dos mistrios cannicos para medir-se de pblico e arrazar com o perigoso adversrio. Se pensou rpido executou ( com a anuncia do bispado), fazendo aportar terra um astro de oratria eclesistica.

 

O recm vindo era holands, mas falava muito bem o portugus. Depois de dois ou trs sermes preparatrios, foi lanado o desafio. Convm lembrar que a frequncia aos sermes aumentara, como tambm a assistncia do centro, que j no se podia esperar acompanhar os lances oratrios por informaes de terceiros, eivadas de proselitismo e os prprios partidrios de um e de outro, passaram a frequentar os dois locais, a reza com sermo logo aps a Ave Maria (18 horas) e a sesso esprita (20 horas). Ovia-se a pergunta e a resposta, a invetiva e os contra argumentos no mesmo dia, caminhando apenas cerca de mil metros.

Encontrara todas as igrejas em runas, algumas parcialmente desmoronadas. Dividia o padre Joo a jornada em sermes e sacramentos e p de pedreiro iniciando a restaurao de todos os templos a um s tempo. Obra de gigante que esse cura j velho no chegou a ver terminada. Empunhando numa das mos o missal e na outra o "livro de ouro", sem auxiliares, pois era o nico padre da freguezia, pastoreou muito tempo seus fiis sem contestao. 

Um dia surgiu-lhe um adversrio, porque o destino de todo D.Camilo ter um Pepone pela proa. Este veio na pessoa de um baiano culto, professor de letras e eloqente como soem ser os baianos, professor Leopoldo Machado. 

Cerimoniosamente, a princpio, um no plpito, outro na tribuna, tomaram as posies e comeou em Nova Iguau a luta entre igreja catlica e espiritismo. So Pedro e Kardec. Da por diante, disputariam, aquele as almas e este os espritos. claro que a populao, como de uso, logo se viu em dois grupos, maior o do padre, mas, se menor o do professor era mais culto, seleto, chamado religio de cincia.

Ambos citavam os evangelhos, encontrando testemunhos.

Os partidos da reencarnao, alm do livro santo(A Bblia), diziam-se baseados em Flamarion, Leon Denis, Williams CrooKes, Gabriel Delane, A. Conan Doyle. Leopoldo Machado fundou um colgio com o prprio nome. Padre Joo, fundou outro que entregou a freiras, hoje modelar, ainda existente, denominado Colgio Santo Antnio e uma obra de Caridade. O professor inicia a obra filantrpica Lar de Jesus, um primor de instituio caritativa, a qual posteriormente legaria todos os seus haveres e o prprio colgio.

Joo reconstri a matriz de Santo Antnio de Jacutinga, o templo principal, Leopoldo ergue e inaugura, em sobrado, o Centro Esprita F ,Esperana e Caridade. O Espiritismo do orador baiano que a princpio pareceu ao sacerdote dos sem maior importncia deitara razes e o padre que nunca se preocupara em erradicar a macumba, o Candombl, a Umbanda - crendice de pretos - via-se nessa altura com um antagonista perigoso e o que era pior alardeando lgica, doutrina e cincia, no mais escorreito portugus e afinada eleqncia.

Leopoldo era um batuta para se comunicar. Adversrio sem dvida para um padre Vieira. Enquanto o reverendo anamatizava com o assustador fogaru das caldeiras de belzeb, queles que seguissem Rustaing, o professor descrevia aos incrdulos, as durssimas provas de reencarnaes obrigatoriamente sucessivas, para os que fechassem os olhos e os ouvidos nova revelao.

Da rua Marechal Floriano Peixoto at o Centro Esprita, rua Bernardino de Mello, ia-se a p em dez minutos, atravessando a estrada de ferro Central do Brasil cancelada em frente ao bar Brasil, do Pascoal Testa, mas, o que o padre falava no plpito chegava tribuna do centro com a velocidade da luz , e vice-versa. A coisa em pouco tornou-se um dilogo e difcil de suportar para o padre, quando advertido sobre a excelente capacidade de comunicao do professor, sentiu um estalo e viu surgir a idia luminosa e salvadora. Fazer vi a Nova Iguau um prncipe da palavra e dos mistrios cannicos para medir-se de pblico e arrazar com o perigoso adversrio. Se pensou rpido executou ( com a anuncia do bispado), fazendo aportar terra um astro de oratria eclesistica.

O recm vindo era holands, mas falava muito bem o portugus. Depois de dois ou trs sermes preparatrios, foi lanado o desafio. Convm lembrar que a frequncia aos sermes aumentara, como tambm a assistncia do centro, que j no se podia esperar acompanhar os lances oratrios por informaes de terceiros, eivadas de proselitismo e os prprios partidrios de um e de outro, passaram a frequentar os dois locais, a reza com sermo logo aps a Ave Maria (18 horas) e a sesso esprita (20 horas). Ovia-se a pergunta e a resposta, a invetiva e os contra argumentos no mesmo dia, caminhando apenas cerca de mil metros."

Havia gente j confusa, jantando mais cedo, para acender uma vela Deus e outra ao diabo. Tambm a cousa j descambara para o terreno econmico, pois a maioria, querendo se situar bem na vida eterna passara a assinar e contribuir nas listas de reconstruo das igrejas e nas da caridade esprita. J no se sabia mesmo quem fizera mais proslitos e era melhor acolhido, se a figura humilde, ignorante, mas virtuosa do padre, ou com o brilho fulgurante da oratria, em portugus castio, com bases modernas e cientficas do professor. Argumentavam confundindo todo o mundo os formidveis pregadores.

A igreja sempre teve imprensa prpria, Guttenberg imprimiu primeiro a bblia catlica e houve farta distribuio de panfletos e jornais, santinhos, aos fiis na Igreja, mas o mestre esprita, alm do dom da palavra tinha o da escrita e produziu obra de folego, versos, contos, romances e peas teatrais que encenava. Lanado o desafio, o espiritista no pegou logo a luva. Oito dias de suspensa, enquanto os mais desencontrados boatos eram espalhados e a guerra de nervos terminou no entretanto com a aceitao e a escolha dos padrinhos (responsveis pelo boa ordem) de lado a lado e, o que era mais importante, a escolha do campo da luta. O local da batalha veio a ser, depois de muita querela, em ponto equidistante da Igreja ao Centro. Foi escolhido o salo do S. C. Filhos de Iguau, exatamente no meio do caminho que percorreriam desafiante e desafiado, um sobrado de esquina das ruas Getlio Vargas e Bernardino de Melo. A expectativa tornou o ar pesado, a prpria poltica foi esquecida, sendo Getlio de Moura e Mrio Guimares relegados ao segundo plano, como se no existissem mais os irreconciliveis partidos Progressista e Radical. Novenas foram rezadas s pressas em inteno do padre, enquanto no outro arraial pedia-se a proteo e assistncia dos "espritos de luz". Padre Joo um belo dia teve que com seus mais eficientes exorcismos retirar dos degraus da matriz um caprichado "eb" com que a umbanda local se permitiu contribuir. A cidade parou na previso anciosa. O padre holands era bom orador, bom mesmo e vinha com a experincia de outros prelios, e Leopoldo, baiano astuto, culto e eloquente no valia menos.

VEJA HOMENAGEM AOS 30 ANOS DE FALECIMENTO DO PROFESSOR LEOPOLDO EM 22/08/1987

O DIA "D"

Chegou o dia "D", estando presentes no S.C. Iguau, tanto a nata como a prrapagem da terra. O padre chegou primeiro, claro,loiro, alto, gordo, entrou e se instalou na cadeira de braos ao lado de Sebastio Herculano de Mattos, que presidiria os trabalhos. Leopoldo, pequeno, magro, cabea grande, moreno, cabeludo, entrou logo depois e foi ocupar a cadeira esquerda da presidncia. Estava gripado, um enorme cachecol de l quadriculada envolvia-lhe o pescoo. Sebastio Herculano apresentou os contendores, salientando-lhes os ttulos e explicando o motivo da reunio, frizando bem, repetidas vezes, que num pas leigo a discusso de to transcendente assunto deveria correr nos planos superiores da tolerncia e que havia um denominador comum, pois, no fundo, todos os presentes eram cristos.


Perspicaz, culto, Mattos fora escolhido para presidir por causa de sua prtica de assembleas, era vereador, presidente da Associao de Agricultores e j, muitas vezes, defendera rus na tribuna do juri (que na poca era permitido a no formados em direito), mas sobretudo por ser o farmacutico, profisso que distingue a personagem multifacetado de grande atuao e muito respeitado nas antigas vilas.

Apresentados os gladiadores, sorridentes, amveis, via-se contudo a assustadora tenso da assistncia. No se misturaram catlicos e espritas, separaram-se, embora o salo comportasse apertadamente e o todo estivesse aglutinado.

Corria no ar um zumzum resmungado, quase rosnante de mau prenuncio que s cessou quando tomou a palavra o padre. Ouviu-se uma magnfica pea oratria. Falou mais a Maurcio de Lacerda que a Vieira. Aps os cumprimentos s personagens presentes, especialmente s damas, tomou o fio da meada com Ado e Eva: Inmeras foram as citaes a partir da era de Cristo, nos 1900 anos da igreja. Atacou de rijo as manifestaes espritas chamando as de farsas e auto sugesto. Chamou a depor todos os apstolos e os grandes filsofos da igreja. A Companhia de Jesus (sem a Inquisio) esteve dessa vez no banco das testemunhas.

Especialmente bombardeou a reincarnao mostrando com argumentos irretoquveis que aps a morte a alma no tem outra opo seno o inferno, o purgatrio e para poucos bem aventurados, o cu.

Foi mordaz, satrico, apostrofando aqueles que no lhe fizessem o catecismo. Falou uma hora e meia olhando de vem em quando para o Padre Joo que com gestos animava os aplausos da assistncia nas passagens mais vigorosamente arrazoadas do discurso.

Padre Joo, os olhos encadeados no Holandes no dava conta de que seu exemplo de vida desprendida e incanvel energia para o trabalho, representava alicerce maior para a Igreja que a eloquente elegncia do orador, a reunir fiis. A metade da assistncia saudou de p as ltimas palavras de cura, enquanto a outra metade se abstinha.

Todos suavam, o padre j bebera cerca de dez copos de gua quando foi dada a palavra ao professor Leopoldo que se levantou e por ser pequena estatura f-lo sobre um banquete para ficar mais alto.

No tirou o cachecol e estava um pouco rouco. Recusou o copo de gua que lhe foi oferecido, correu os olhos pela assistncia, fez poucas saudaes e aps um "meus irmos" produziu uma belssima orao.

Embora rouco se expressava com nitidez, o sotaque baiano, acentuado e abrindo as vogais, permitia-lhe ser bem ouvido e melhor entendido. Suas citaes antecederam ao nascimento de cristo pelo menos trs mil anos. As religies dos Sesmerianos, Babilnicos, Cretenses, Persas, Egpcios, Gregos, desfilaram. A Tora dos judeus, o velho testamento foi citado longamente com Abrao, No, Moiss e todos os seus profetas. Os essenios e (ainda no se tinha notcia dos papirus do mar morto) testemunharam. Do novo testamento extraiu abundante comprovao para a existncia do esprito e da reincarnao.

Se Cristo perdeu suas atribuies divinas ganhou porm as glrias do esprito de maior luz do planeta. No poupou a Igreja por suas lutas polticas para obter e manter pompas e proveitos materiais. A seguir mudou-se para o terreno da lgica e da matemtica e provou aritmeticamente que a reincarnao no s individual mas, tambm coletiva, em massa.

Estornou o verbo para a rea cientfica e l vieram Lavoisier, Laplace, Crooks e - finalmente Eistein depor perante a extasiada assistncia as verdades do espiritismo. Nada ficou devendo ao padre, at superou-o pela graa da linguagem escorreita. Na verdade falou muito mais em menos tempo, usando da palavra apenas por uma hora.

Quando chegou ao "tenho dito" foi delirantemente aplaudido por aqueles que no bateram palmas para o sacerdote. Sentia-se na assemblia, desde logo, que fora brilhante o entrevero e que tivera a virtude de tornara os catlicos mais catlicos e os espritas mais espritas. Converses, parece no houvera alguma.

Apesar do adentrado da hora o padre levantou-se para a rplica, que j era esperada, porque nessa poca, a assistncia da vila, sempre a mesma para tudo, estava habituada s sesses do Juri que duravam (falando a defesa e a acusao quantas vezes quisessem), trs, quatro e mais horas, sem interrupo. A rplica do padre, porm, foi curta, forte, incisiva, quando disse:

- Meu caro professor, ns os catlicos nos convertemos sua dita verdade se o senhor fizer se materializar, aqui, agora, um esprito.

De imediato, Leopoldo se levantou e a trplica foi lanada:

- Senhor padre, primeiro o senhor, ns os espritas que nos converteremos, se vossa reverncia fizer, aqui, agora, um milagre.

A assistncia, sob calor e tenso emocional pareceu explodir, tumultos comearam, quando o presidente, hbil e ligeiro deu a reunio por encerrada e algum diretor do clube mais interessado na integridade das cadeiras desligou o relgio da luz.


REPRODUO DA CRNICA A MARGEM DA HISTRIA


CAPA DE "DOUTRINA INGLRIA"


PGINA INTERNA DE "DOUTRINA INGLRIA"


PGINA INTERNA DE "DOUTRINA INGLRIA"


CAPA DE "PIGMEUS CONTRA GIGANTES

Estudos: Nada Lhe no Momento Maior. O Natal dos Cristos Novos, Observaes e Sugestes; Cruzada do Espiritismo de Vivos e Cientismo e Espiritismo.


NA CAPA AS RUBRICAS DE NEWTON GONALVES DE BARROS E DE LEOPOLDINA
MACHADO BARBOSA DE BARROS, NO EXEMPLAR DE N 16


Nesta edio o autor j preocupado com as dificuldades de impresso e j sem vrios ttulos que esgotaram rapidamente, coloca a seguinte mensagem na contracapa:

Teses: Das Responsabilidades dos Espritas do Brasil.

Biografias e Impresses gerais: Graas sobre Graas e Uma Grande Vida (Caibar Schtel).


Revistas: Alvorecer (Colgio Leopoldo) e Quinzenrio (Colgio Nacional Mier).


ltimo artgo para a revista Estudos Psquicos em Portugal, dirigida por Izidoro Duarte Santos.

O dito popular nos afirma que "s se atira pedra em rvore que d fruto". Com ele no foi diferente. Bom orador, bom escritor, polemista, um colgio caminhando a passos largos. Benemrito na comunidade. Produzindo muito, provocou muitas invejas.Era ainda Diretor Geral do Colgio Leopoldo quando morreu.

Faleceu no Lar de Jesus, na noite de 22 de agosto. Na manh deste dia, como se previsse que era seu ltimo dia, mandou chamar o diretor tcnico do Colgio Leopoldo e pediu-lhe: No transformem nunca meu Colgio em balco de ensino. Transformem-no antes em hospital. Nunca, nunca, em balco de ensino.

Seu corpo foi velado no Auditrio do Colgio Leopoldo.


ASPECTO DA RUA PROFESSOR PARIS, (ENTRADA DO AUDITRIO).


O CORTEJO PASSOU PELO CENTRO ESPRITA F, ESPERANA E CARIDADE, ONDE LEOPOLDO
FORA PRESIDENTE POR VRIOS ANOS, PARA UMA PRECE, CONFORME SEU TESTAMENTO.


CORTEJO PELAS RUAS DE NOVA IGUAU, SEGURANDO A URNA ESQUERDA, JOS MARQUES,
WALDEMIRO PEREIRA E SIMPLICIANO. DIREITA O PROFESSOR NEWTON DE BARROS.

"Nova Iguau jamais viu um enterro assim e dificilmente ver."


ASPECTO DO CORTEJO NUMA FOTO TIRADA DE CIMA DE UM CAMINHO ESTACIONADO NA
ESQUINA DA AV. MARECHAL FLORIANO PEIXOTO COM CORONEL FRANCISCO SOARES.


DO MESMO NGULO, FOTO MAIS PRXIMA

Cobriam sua urna as bandeiras do Lar de Jesus, do Colgio Leopoldo e da Arcdia Iguauana de Letras. Nem uma casa comercial ficou aberta. A multido silenciosa estava triste e aumentava cada vez mais. Todas as correntes polticas se fizeram representar, catlicos, espritistas, protestantes. Todos os colgios particulares. Muitas escolas pblicas.

Vrios oradores falaram descida de sua urna.


FOTO IDENTIFICADA PELA PROFESSORA LEOPOLDINA MACHADO (IRM DE LEOPOLDO),
COM SUA PRPRIA LETRA.


OUTRA FOTO IDENTIFICADA PELA PROFESSORA LEOPOLDINA MACHADO.

Depois do toque de silncio por um militar, foi sepultado o homem que trouxe para esta regio do Recncavo Fluminense o teatro, a instruo musical, o esporte de quadra e o olmpico, as festas juninas escolares, as tertlias, a instruo oficial, sua religio, a primeira instituio regular e oficial de amparo criana, e tantas outras iniciativas.

Era o tombo do jequitib como dissera o amigo Jos Antonio Marques.


Aps o desenlace de Leopoldo Machado diversas homenagens foram e continuam sendo feitas. Estaremos anexando fotos e textos das diversas homenagens recebidas.


LEOPOLDO MACHADO COMO TEMA DE ESCOLA DE SAMBA. FOTO DE JO ( ESQUERDA ) E ROBERTO
COMPOSITOR (DIREITA). NA VINTE E OITO DE SETEMBRO EM VILA ISABEL.


HOMENAGEM DA IMPERATRIZ IGUAUANA . DESFILE DE 1998 EM NOVA IGUAU NA
CONCENTRAO NA RUA NILO PEANHA.


CARRO LEMBRANDO O COLGIO LEOPOLDO E A PROFESSORA LEOPOLDINA MACHADO.

* * *

* NOTAS EXPLICATIVAS

A documentao existente de Leopoldo um quebra cabeas. Junt-la complicado. Parte do acervo no Lar, outra no F, outra na escola e por fim a famlia.

Nossa funo de documentar historicamente. Importante agradecer primeiramente esposa Marlia e irm Leopoldina. Depois ao cunhado Newton de Barros e famlia, incluindo seu pai Alberto de Barros um dos maiores amigos de Leopoldo e irm Nelly.

Ao aumentarmos as informaes, torn-las pblicas via internet, cumprimos uma obrigao que sinto-me no dever de faz-lo. Como sobrinho recebi e procurei tradio oral e escrita da vida de Leopoldo. Esta pgina no se concluir, pois a cada momento estaremos recebendo sempre novas informaes e desde que verdadeiras comprovadamente, as estaremos divulgando. Por isso at o "escaneamento" no recebe retoques e voc que visita a pgina tem a certeza da veracidade das imagens e documentos. (Paulinho Leopoldo).

 

Fonte: Biografias de quem ajudou a construir o Colgio Leopoldo
http://www.colegioleopoldo.org.br/leopoldomachado1.html 

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