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Para Refletir...

"A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança, a violência, ao contrário, é uma prova de fraqueza e dúvida de si mesmo." - Evangelho Segundo o Espiritismo

 
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INCONFIDÊNCIA MINEIRA

cap4Estamos no reinado de D. Maria I, a Piedosa, a qual, escravizada ao seu fanatismo religioso e ás opiniões dos seus confessores, fazia Portugal caminhar para a ruína e a decadência. Era muito preocupante a situação do Brasil. A capitania de Minas Gerais era, na época, a maior fonte de riquezas da Colônia, com as suas minas de ouro e diamantes, o que a tornava o alvo dos ambiciosos. Todos queriam se apossar das suas riquezas. Os padres queriam o ouro para as suas Igrejas suntuosas. Os magistrados queriam a todo custo enriquecer antes de voltar para Portugal; e os agentes do fisco cumpriam rigorosamente as ordens da corte de Lisboa, que era naquela época uma fonte onde os parasitas da nobreza iam sugar pensões extraordinárias e fabulosas.

Anuncia-se a "derrama"; isto é, cobrança atrasada do imposto do ouro. Em Minas, os brasileiros consideram a gravidade da situação e, achando que o Brasil já tem condições de reger seus próprios destinos, começam a traçar os planos da libertação. Reúnem-se, em Vila Rica, vários nomes já muito conhecidos.: Inácio Alvarenga, Joaquim José da Silva Xavier – O Tiradentes -Cláudio Manoel da Costa, Tomaz Gonzaga e outros. As primeiras providências consistiam em infiltrar as ideias de liberdade nas outras Capitanias. Procuram então os nossos irmãos de Pernambuco e de São Paulo, e pedem também o apoio do embaixador da América do Norte em Paris. Mas, nem o embaixador em Paris nem as Capitanias de Pernambuco e São Paulo se interessaram pela ideia. É nesse momento que surge a figura de Joaquim Silvério dos Reis, o qual leva todo o plano ao Visconde de Barbacena, português que, naquela época, ocupava o cargo de Governador de Minas Gerais. Querendo fazer morrer as ideias de liberdade, na sua fonte, o Governador manda imediatamente prender Tiradentes, que se achava no Rio de Janeiro, e também os elementos da conspiração em Vila Rica. Todos são condenados à morte, porém, mais tarde, D. Maria I muda as penas de morte em degredo perpétuo, com exceção de Tiradentes que teria de morrer na forca e seu corpo esquartejado e exposto em praça pública.

Conta-nos Humberto de Campos que o mártir da Inconfidência, num gesto de heroísmo, sente uma alegria sincera pela expiação cruel que só a ele fora reservada e entrega o espírito a Deus no dia 21 de abril de 1792 e que, imediatamente após a execução, no momento exato do seu desencarne, Ismael o recebe carinhosamente, dizendo-lhe: " -Irmão querido, resgatas hoje os delitos que cometestes quando, no passado, fostes um cruel inquisidor. (...) Regozija-te pelo desfecho dos teus sonhos de liberdade. (...). Se o Brasil se aproxima da maioridade como nação, ao influxo do amor divino, será o próprio Portugal quem virá trazer até ele os elementos da sua emancipação política, sem ser ás custas do derramamento do sangue fraterno". ( Xavier, Francisco Cândido, 1996 p.122) A seguir, foi ele transportado por espíritos superiores que não lhe permitiram assistir à cena do esquartejamento. Daí a alguns dias, a rainha d. Maria I enlouquecia, ferida pelo remorso. Ela havia sido uma rainha muito cruel. Com muita frequência e tranquilidade, assinou várias sentenças de morte.
Daí por diante, os brasileiros não têm outro pensamento a não ser a Independência, mas o predomínio dos portugueses, desde a Bahia até o Amazonas, representava sério obstáculo. Os mensageiros de Ismael se multiplicavam em todos os setores visando conciliar a todos, com a finalidade de preservar a unidade territorial do Brasil. A equipe espiritual se reúne no Colégio de Piratininga, sob a direção de Ismael.
Ali se encontram heróis das lutas maranhenses e pernambucanas, mineiros e paulistas. Nessa ocasião, Ismael dirige a todos a sua palavra cheia de ponderação e ensinamento, e encerra a sua alocução, dirigindo-se a Tiradentes, dizendo: "- O nosso irmão martirizado há alguns anos pela grande causa , acompanhará D. Pedro em seu regresso ao Rio e, ainda na terra generosa de São Paulo, auxiliará o seu coração no grito supremo da liberdade". (Xavier, Francisco Cândido, 1996 p.158). Conforme a promessa de Ismael a Tiradentes no momento supremo do seu sacrifício alcançamos a Independência, sem o derramamento de sangue.

Bastou um grito às margens do Ipiranga: "INDEPENDÊNCIA OU MORTE". Tivemos a Independência, mas não tivemos a morte. Informa-nos ainda o autor espiritual que, quando D. Pedro dava o grito que nos tornava uma nação livre, não suspeitava que naquele momento ele era um dócil instrumento de um emissário invisível, que velava pela grandeza da nossa pátria: o nosso mártir e herói TIRADENTES.


A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho
Célia Urquiza de Sá
(À luz da obra "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho",
de autoria de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Humberto de Campos.)

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