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Para Refletir...

"A incompreensão dói. Contudo, oferece-nos excelente oportunidade de compreender. O desespero destrói. Diante dele, porém, encontramos ensejo de cultivar a serenidade." - André Luiz

 
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A ESCRAVIDÃO NO BRASIL.

cap3Durante três longos séculos, o Brasil viveu a página negra da escravidão. É comum se atribuir esse acontecimento lamentável ao fator econômico. Acreditam que só a necessidade de braços para a lavoura foi a responsável pela vinda do negro africano para o Brasil. Realmente, o braço cativo foi o propulsor da economia brasileira e também de outros países. Mas, não podemos esquecer que a ação espiritual, mesmo respeitando o livre arbítrio, está sempre presente em cada momento da nossa existência.

O Espírito Humberto de Campos, no seu livro, nos fala de um encontro de Ismael com o Divino Cordeiro, onde o nosso querido mensageiro e protetor expõe a sua tristeza diante dos quadros de sofrimento e dor presenciados na nova Terra.
A civilização que ali se inicia, com um objetivo tão grandioso, deixa-se contaminar por exemplos lamentáveis apresentados em outras terras, e aderindo ao tráfico de escravos, faz-se ao mar e vai buscar nas terras longínquas da Luanda, da Guiné e de Angola, negros indefesos. Arranca-os da sua pátria, transporta-os como verdadeiros animais e, aqui chegando, vende-os como "peças" contadas, tributadas, sem nenhum respeito à sua condição humana. O Divino Mestre, então lhe responde brandamente: "- Ismael, asserena teu mundo íntimo nos sagrados deveres que te foram confiados. Bem sabes que os homens têm responsabilidade pelos seus atos. (...) Não podemos tolher-lhes a liberdade, mas também não devem esquecer que cada qual receberá de acordo com os seus atos. Havia eu determinado que a Terra do Cruzeiro se povoasse de raças humildes do Planeta, buscando-se a colaboração dos povos sofredores das regiões africanas. (...) Para isso aproximei Portugal daquelas raças sofredoras, sem violência de qualquer natureza.

A colaboração africana deveria, pois, verificar-se sem abalos, sem sofrimentos, conforme as minhas amorosas determinações. O homem branco da Europa, porém, desejando entregar-se ao prazer fictício dos sentidos, procura eximir-se do trabalho pesado da agricultura, (...). Eles terão a liberdade de humilhar os seus irmãos, em face do livre arbítrio, (...) mas, os que praticarem o nefando comércio sofrerão também o mesmo martírio”. (Xavier, Francisco Cândido, op. .cit pp. 50-51) Vemos aqui, que a vinda do negro africano para o Brasil fazia parte dos planos traçados para a nossa Terra, mas tudo deveria acontecer sem violência. A crueldade com que eles foram arrancados da sua pátria e o tratamento monstruoso que aqui receberam, sendo escravizados e torturados, foram consequência da ambição, do abuso do poder e da falta de conhecimento de que somos todos filhos do mesmo Pai, logo somos irmãos; somos iguais.
Esses nossos irmãos africanos, vindos para o Brasil, eram entidades sofredoras que, em outras existências, evoluíram apenas pela ciência. Evoluíram só intelectualmente, mas eram pobres de humildade e de amor. Através da Lei de Reencarnação, renasceram nas Terras da África e, de lá, vieram para o árduo trabalho na Terra do Cruzeiro. Foram eles que abriram caminhos na terra virgem, sustentando nos ombros feridos o peso de todos os trabalhos, conquistando assim o sentimento de humildade e amor que lhes faltava. Conforme Berni (1994), Emmanuel, em sua cartilha "Pensamento e Vida", assim nos esclarece.: " - Já se disse que duas asas conduziram o espírito dos humanos à presença de Deus. Uma chama-se amor, a outra, Sabedoria. Através do amor, valorizamo-nos para a vida. Através da sabedoria, somos pela vida valorizados. Daí o imperativo de marcharem juntas a inteligência e a bondade".

Os filhos da África foram humilhados e torturados na Terra que seria um dia a Pátria do Evangelho; mas com seu sacrifício, e com as suas lágrimas (que também tinham uma razão, pois não se paga sem dever), tornaram-se instrumentos do Mestre Jesus, na obra em prol do Evangelho, pois, com o seu trabalho, constituíram-se num dos baluartes da nacionalidade em todos os tempos e, enquanto isso reabilitavam-se com a Lei Divina que foi por eles um dia infringida.

Diz ainda o Mestre Jesus a Ismael: "Infelizmente Portugal, que representa um agrupamento de espíritos trabalhadores e dedicados (...) não soube receber as facilidades que a misericórdia do Supremo Senhor do Universo lhe outorgou nestes últimos anos (...). Na velha península já não existe o povo mais pobre e laborioso da Europa. O luxo das conquistas lhe amoleceu as fibras criadoras (...) não nos é possível cercear o livre arbítrio das almas, poderemos mudar o curso dos acontecimentos, a fim de que o povo lusitano aprenda, na dor e na miséria, as lições sagradas da experiência e da vida”. (Xavier, Francisco Cândido, 1996, p 52 53)

Na formação da Pátria do Evangelho, o homem branco, com sua independência e sua ambição, alterou os fatores; no entanto, Jesus alterou os acontecimentos. É a História que nos conta o que aconteceu mais adiante.

Os donatários sofreram os mais tristes reveses no solo brasileiro: Os índios Tupinambás e Tupiniquins (...) que, com expressões de fraternidade, receberam Cabral quando aqui aportou pela primeira vez, reagiram contra os colonizadores e travaram-se lutas cruentas.

A luxuosa expedição de João de Barros que saiu de Lisboa com intenção de conquistar o ouro dos Incas, dispersou-se no mar, sofrendo os seus componentes infinitos martírios. Os tesouros das Índias levam o povo português à decadência e à miséria.

A Casa de Avis, sob cujo reinado se iniciou o tráfico hediondo dos homens livres, desaparece para sempre e por fim, Portugal entrega-se ao domínio Espanhol. (Xavier, Francisco Cândido, 1996 p.53 -54). Estas informações nos levam a supor que nada disso teria acontecido se os colonizadores tivessem agido de modo diferente. Ninguém foge à Lei de Causa e Efeito.

Apesar de tão doloroso capítulo na nossa história, a escravidão obedeceu rigorosamente ao critério da Lei de Causa e Efeito. Há, porém, um ponto a observar: mesmo sendo uma página triste e vergonhosa na nossa história, é forçoso reconhecer que a escravidão no Brasil não trouxe aos negros apenas sofrimentos. Tiveram um final feliz. A vida dos negros regulariza-se, a saúde se refaz trazendo-lhes a alegria de viver e muitos deles são gratos aos novos senhores, que eram melhores que os da África e os do mar.

Em Bérna, Duílio Lena, na obra "Brasil, Mais Além", encontramos: "Não é nosso intento fazer apologia da escravidão, cujos terrores principalmente macularam o homem branco e sobre ele recaíram. Mas a escravidão no Brasil foi para os negros a reabilitação deles próprios e trouxe para a descendência deles uma pátria, a paz e a liberdade e outros bens que pais e filhos jamais lograriam gozar, ou sequer entrever no seio bárbaro da África". (op. cit. p. 108) "Na Pátria do Evangelho, têm eles sido estadistas, médicos, artistas, poetas e escritores (...) em nenhuma outra parte do planeta alcançaram ainda a elevada e justa posição que lhes compete, como acontece no Brasil." (op. cit. p. 117).

Foi com essa tarefa expiatória, sofrendo os mais extraordinários sacrifícios, que cumpriram o seu resgate. E mais tarde, no Quilombo dos Palmares, deram-nos o exemplo de resistência e perseverança, onde por mais de setenta anos lutaram com heroísmo, defendendo o território por eles conquistado.


A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho
Célia Urquiza de Sá
(À luz da obra "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho",
de autoria de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Humberto de Campos.)

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