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Para Refletir...

"A obra prossegue com o amparo divino. Nem desnimo, nem pressa, equilbrio." - Bezerra de Menezes

 
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A ESCRAVIDO NO BRASIL.

cap3Durante trs longos sculos, o Brasil viveu a pgina negra da escravido. comum se atribuir esse acontecimento lamentvel ao fator econmico. Acreditam que s a necessidade de braos para a lavoura foi a responsvel pela vinda do negro africano para o Brasil. Realmente, o brao cativo foi o propulsor da economia brasileira e tambm de outros pases. Mas, no podemos esquecer que a ao espiritual, mesmo respeitando o livre arbtrio, est sempre presente em cada momento da nossa existncia.

O Esprito Humberto de Campos, no seu livro, nos fala de um encontro de Ismael com o Divino Cordeiro, onde o nosso querido mensageiro e protetor expe a sua tristeza diante dos quadros de sofrimento e dor presenciados na nova Terra.
A civilizao que ali se inicia, com um objetivo to grandioso, deixa-se contaminar por exemplos lamentveis apresentados em outras terras, e aderindo ao trfico de escravos, faz-se ao mar e vai buscar nas terras longnquas da Luanda, da Guin e de Angola, negros indefesos. Arranca-os da sua ptria, transporta-os como verdadeiros animais e, aqui chegando, vende-os como "peas" contadas, tributadas, sem nenhum respeito sua condio humana. O Divino Mestre, ento lhe responde brandamente: "- Ismael, asserena teu mundo ntimo nos sagrados deveres que te foram confiados. Bem sabes que os homens tm responsabilidade pelos seus atos. (...) No podemos tolher-lhes a liberdade, mas tambm no devem esquecer que cada qual receber de acordo com os seus atos. Havia eu determinado que a Terra do Cruzeiro se povoasse de raas humildes do Planeta, buscando-se a colaborao dos povos sofredores das regies africanas. (...) Para isso aproximei Portugal daquelas raas sofredoras, sem violncia de qualquer natureza.

A colaborao africana deveria, pois, verificar-se sem abalos, sem sofrimentos, conforme as minhas amorosas determinaes. O homem branco da Europa, porm, desejando entregar-se ao prazer fictcio dos sentidos, procura eximir-se do trabalho pesado da agricultura, (...). Eles tero a liberdade de humilhar os seus irmos, em face do livre arbtrio, (...) mas, os que praticarem o nefando comrcio sofrero tambm o mesmo martrio. (Xavier, Francisco Cndido, op. .cit pp. 50-51) Vemos aqui, que a vinda do negro africano para o Brasil fazia parte dos planos traados para a nossa Terra, mas tudo deveria acontecer sem violncia. A crueldade com que eles foram arrancados da sua ptria e o tratamento monstruoso que aqui receberam, sendo escravizados e torturados, foram consequncia da ambio, do abuso do poder e da falta de conhecimento de que somos todos filhos do mesmo Pai, logo somos irmos; somos iguais.
Esses nossos irmos africanos, vindos para o Brasil, eram entidades sofredoras que, em outras existncias, evoluram apenas pela cincia. Evoluram s intelectualmente, mas eram pobres de humildade e de amor. Atravs da Lei de Reencarnao, renasceram nas Terras da frica e, de l, vieram para o rduo trabalho na Terra do Cruzeiro. Foram eles que abriram caminhos na terra virgem, sustentando nos ombros feridos o peso de todos os trabalhos, conquistando assim o sentimento de humildade e amor que lhes faltava. Conforme Berni (1994), Emmanuel, em sua cartilha "Pensamento e Vida", assim nos esclarece.: " - J se disse que duas asas conduziram o esprito dos humanos presena de Deus. Uma chama-se amor, a outra, Sabedoria. Atravs do amor, valorizamo-nos para a vida. Atravs da sabedoria, somos pela vida valorizados. Da o imperativo de marcharem juntas a inteligncia e a bondade".

Os filhos da frica foram humilhados e torturados na Terra que seria um dia a Ptria do Evangelho; mas com seu sacrifcio, e com as suas lgrimas (que tambm tinham uma razo, pois no se paga sem dever), tornaram-se instrumentos do Mestre Jesus, na obra em prol do Evangelho, pois, com o seu trabalho, constituram-se num dos baluartes da nacionalidade em todos os tempos e, enquanto isso reabilitavam-se com a Lei Divina que foi por eles um dia infringida.

Diz ainda o Mestre Jesus a Ismael: "Infelizmente Portugal, que representa um agrupamento de espritos trabalhadores e dedicados (...) no soube receber as facilidades que a misericrdia do Supremo Senhor do Universo lhe outorgou nestes ltimos anos (...). Na velha pennsula j no existe o povo mais pobre e laborioso da Europa. O luxo das conquistas lhe amoleceu as fibras criadoras (...) no nos possvel cercear o livre arbtrio das almas, poderemos mudar o curso dos acontecimentos, a fim de que o povo lusitano aprenda, na dor e na misria, as lies sagradas da experincia e da vida. (Xavier, Francisco Cndido, 1996, p 52 53)

Na formao da Ptria do Evangelho, o homem branco, com sua independncia e sua ambio, alterou os fatores; no entanto, Jesus alterou os acontecimentos. a Histria que nos conta o que aconteceu mais adiante.

Os donatrios sofreram os mais tristes reveses no solo brasileiro: Os ndios Tupinambs e Tupiniquins (...) que, com expresses de fraternidade, receberam Cabral quando aqui aportou pela primeira vez, reagiram contra os colonizadores e travaram-se lutas cruentas.

A luxuosa expedio de Joo de Barros que saiu de Lisboa com inteno de conquistar o ouro dos Incas, dispersou-se no mar, sofrendo os seus componentes infinitos martrios. Os tesouros das ndias levam o povo portugus decadncia e misria.

A Casa de Avis, sob cujo reinado se iniciou o trfico hediondo dos homens livres, desaparece para sempre e por fim, Portugal entrega-se ao domnio Espanhol. (Xavier, Francisco Cndido, 1996 p.53 -54). Estas informaes nos levam a supor que nada disso teria acontecido se os colonizadores tivessem agido de modo diferente. Ningum foge Lei de Causa e Efeito.

Apesar de to doloroso captulo na nossa histria, a escravido obedeceu rigorosamente ao critrio da Lei de Causa e Efeito. H, porm, um ponto a observar: mesmo sendo uma pgina triste e vergonhosa na nossa histria, foroso reconhecer que a escravido no Brasil no trouxe aos negros apenas sofrimentos. Tiveram um final feliz. A vida dos negros regulariza-se, a sade se refaz trazendo-lhes a alegria de viver e muitos deles so gratos aos novos senhores, que eram melhores que os da frica e os do mar.

Em Brna, Dulio Lena, na obra "Brasil, Mais Alm", encontramos: "No nosso intento fazer apologia da escravido, cujos terrores principalmente macularam o homem branco e sobre ele recaram. Mas a escravido no Brasil foi para os negros a reabilitao deles prprios e trouxe para a descendncia deles uma ptria, a paz e a liberdade e outros bens que pais e filhos jamais lograriam gozar, ou sequer entrever no seio brbaro da frica". (op. cit. p. 108) "Na Ptria do Evangelho, tm eles sido estadistas, mdicos, artistas, poetas e escritores (...) em nenhuma outra parte do planeta alcanaram ainda a elevada e justa posio que lhes compete, como acontece no Brasil." (op. cit. p. 117).

Foi com essa tarefa expiatria, sofrendo os mais extraordinrios sacrifcios, que cumpriram o seu resgate. E mais tarde, no Quilombo dos Palmares, deram-nos o exemplo de resistncia e perseverana, onde por mais de setenta anos lutaram com herosmo, defendendo o territrio por eles conquistado.


A Misso do Brasil como Ptria do Evangelho
Clia Urquiza de S
( luz da obra "Brasil, Corao do Mundo, Ptria do Evangelho",
de autoria de Francisco Cndido Xavier, pelo esprito Humberto de Campos.)

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