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Para Refletir...

"A incompreenso di. Contudo, oferece-nos excelente oportunidade de compreender. O desespero destri. Diante dele, porm, encontramos ensejo de cultivar a serenidade." - Andr Luiz

 
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Cada fase da evoluo histrica marcada por uma nova concepo do homem e do mundo. conhecido o esquema formulado por Augusto Comte mas convm repeti-lo. A evoluo humana se processa em trs estados ou trs fases bem caracterizadas: 1o) o estado teolgico, representado pelas civilizaes teocrticas e mitolgicas da Antigidade; 2o) o estado metafsico, simbolizado pela Idade Mdia; 3o) o estado positivo, a que corresponde o Positivismo como filosofia cientfica, representado pela era das Cincias.

Um leitor da Revista Esprita escreveu a Allan Kardec propondo a esse esquema, que Comte chamou de lei dos trs estados, o acrscimo do estado psicolgico. Kardec publicou a carta na Revista de Abril de 1869 e considerou acertada a sugesto do leitor. De fato, com o advento do Espiritismo em 1857 o estado positivo havia sido superado, a Humanidade entrava em nova fase evolutiva caracterizada pelo predomnio das pesquisas psicolgicas.

O acerto dessa proposio se confirmou no decorrer da Segunda metade do sculo XIX e na primeira metade do sculo XX.

As Cincias Psicolgicas, tanto no que respeita Psicologia quanto no tocante ao Espiritismo e s Cincias Psquicas por ele geradas, desenvolveram-se de tal maneira nesse perodo que acabaram predominando na cultura do sculo.

Nesta segunda metade do sculo XX, em que nos encontramos, o avano nesse campo de pesquisas e estudos ultrapassou toda expectativa.

Estamos hoje, inegavelmente, na Era do Esprito. J passamos alm do estado psicolgico, que era apenas o vestbulo de uma fase decisiva da evoluo humana. Estamos no estado esprita.

Em apenas alguns anos, de 1930 1970, demos um gigantesco salto qualitativo da Psicologia animista, reduzida s investigaes do comportamento humano, Parapsicologia, que rapidamente avanou na demonstrao da realidade do esprito, a partir dos fenmenos rudimentares de clarividncia e telepatia at pesquisa e comprovao das comunicaes de espritos (fenmenos theta) e da reencarnao (memria extrasensorial).

Ao mesmo tempo, a Fsica, Ditadora das Cincias, como Rhine a chamou, cujos conceitos e mtodos de investigao materialista se impuseram discricionariamente a todo o campo do conhecimento, saltou repentinamente alm da matria, descobrindo a antimatria, reconhecendo a sua importncia fundamental na estrutura do Universo, e logo mais descobrindo o corpo bioplstico dos vegetais, dos animais e do homem.

Corroborando essas conquistas terrenas houve tambm o assalto ao Cosmos pela Astronutica. Esse mergulho no Infinito trouxe mais uma possibilidade de confirmao da chamada hiptese esprita, to ridicularizada e menosprezada pelos homens positivos, no tocante existncia de uma escala de mundos.

Pesquisas astrobiolgicas revelaram a existncia de elementos vitais na imensidade csmica e os cientistas mais eminentes j no temem declarar a sua convico da possibilidade de vida humana em outros planetas.

Para negar que estamos na Era do Esprito seria preciso negar todos esses avanos da Cincia, o que evidentemente ningum pode fazer.

A outra face do real
No mesmo instante em que o homem conseguiu ver, pela primeira vez na Histria, a face oculta da Lua, os cientistas soviticos (logo eles) conseguiram, em suas pesquisas com a cmara Kirili, na Universidade de Alma Ata, nos confins do Kazakist, prximo fronteira chinesa (bem escondidos nas selvas) ver e fotografar o corpo espiritual do homem. E conseguiram mais, em experincias com moribundos, pesquisando o fenmeno da morte, constatar que esse fenmeno s ocorre quando o corpo bioplstico (como o chamaram) se retira do corpo carnal, que ento e s ento se cadaveriza.

O Cristianismo havia conseguido a converso do mundo. O Espiritismo est conseguindo a converso da Cincia. A viso nova dos cristos modificou as relaes humanas, mesmo nas reas no dominadas pelo Cristianismo, e criou uma nova cultura.

A viso novssima do Espiritismo deu novas dimenses viso crist e est criando uma nova civilizao. Segundo a conceituao de Kerchensteiner a cultura se divide em objetiva e subjetiva. A cultura objetiva se constitui dos bens concretos que formam a civilizao, a cultura subjetiva representa o acervo de conhecimentos abstratos que formam o saber de cada civilizao.

A cultura, tanto objetiva como subjetiva, da Era do Esprito, no pode ser transmitida s novas geraes atravs dos limitados recursos da Educao Crist ou da Educao Leiga, ambas irremediavelmente superadas.

O conflito materialismo versus espiritualismo, que gerou essas duas formas de educao, no tem mais possibilidade de sobreviver na cultura atual. A nova concepo do homem e do mundo que marca o nosso tempo exige uma nova educao de dimenses csmicas e espirituais. Porque a Era do Esprito tambm a Era Csmica.

E s o Espiritismo tem condies para atender a essa exigncia do nosso tempo, atravs da Educao Esprita, que j se desenvolve espontaneamente aos nossos olhos e por sua vez exige a sua formulao pedaggica.

A descoberta do esprito
Em 1854 o Prof. Denizard Rivail comeou a investigar os fenmenos psquicos que haviam nove anos antes, abalado os Estados Unidos e repercutido intensamente na Europa.

Discpulo de Pestalozzi, o grande pedagogo da poca, e ele tambm pedagogo, interessava-se por todos os fenmenos que pudessem dar-lhe um conhecimento mais profundo da natureza humana.

Partia do princpio de que o objeto da Educao o homem e por isso o pedagogo tinha por dever aprofundar o conhecimento deste.

Em 1857 lanava em Paris O Livro dos Espritos como primeiro fruto de suas pesquisas. Havia descoberto o esprito, determinado a sua forma, a sua estrutura, as leis naturais (e no sobrenaturais) que regem as sua relaes com a matria.

Podia afirmar, baseado em provas, que a natureza do homem espiritual e no material, que ele sobrevive morte, que possui um corpo energtico e se submete ao processo biolgico da reencarnao para evoluir como Ser, despertando em sucessivas existncias as suas potencialidades nticas.

Se Jesus ensinara essas coisas, na medida do possvel, nos limites culturais do seu tempo, Denizard Rivail, que para tanto adotava o nome de Allan Kardec, passava ento a ensin-las de maneira mais ampla e com maiores recursos culturais. Tornou-se o professor de Espiritismo, como passaram a cham-lo os que aceitaram a sua verdade.

Para isso lanou uma revista especializada, a Revue Spirite, e passou a fazer conferncias e publicar livros e folhetos em linguagem didtica, bem acessvel ao povo. Estava iniciada a Educao Esprita.
Para bem configurarmos o nascimento da Educao Esprita convm lembrar que Amlie Boudet, esposa de Kardec, era tambm professora. Sabemos como ela colaborou na obra do marido e como, aps o passamento deste, emprenhou-se em honrar-lhe a memria. O casal no teve filhos. A Educao Esprita foi assim a sua nica filha. Essa filha mimada, extremamente querida, esteve junto ao seu corao at o fim de sua existncia. O Prof. Rivail serviu-se dela para educar e instruir o seu tempo, no s no tocante Frana, mas a todo o mundo.
Andr Moreil, em sua Vida e Obra de Allan Kardec, mostra-nos que o Prof. Rivail no foi apenas discpulo de Pestalozzi, mas o continuador da obra educacional do mestre: " interessante notar que a impresso das obras completas de Pestalozzi termina exatamente no ano em que Rivail publicou a sua primeira obra, em 1824. Esta coincidncia que uma tocha foi passada de mo para mo. Rivail iria trabalhar durante trinta anos para educao da juventude francesa, antes de se consagrar, nos seu ltimos quinze anos, aos princpios do Espritismo".

Poderiam perguntar porque motivo Kardec no nos deixou nenhuma obra especfica de Educao Esprita. A resposta evidente: porque ainda era cedo para isso e porque faltou-lhe tempo para se dedicar a assunto to complexo.

A codificao do Espritismo, a Revista, as obras subsidirias, os trabalhos de observao e pesquisa, a refutao incessante dos ataques feitos doutrina consumiam-lhe o tempo. E os espritos recomendavam-lhe a todo momento poupar energias, para no deixar de concluir sua misso de implantar a nova doutrina entre os homens.

A obra pedaggica e didtica do Prof. Rivail enorme e foi adotada pela Universidade de Frana. Mas o Tratado de Pedagogia com que ele sonhara no pode ser escrito. Sua misso esprita era demasiado absorvente, e ele estava s, terrivelmente s. A esposa o auxiliava e havia muitos colaboradores sinceros, mas s ele percebia o alcance real do Espiritismo. Assim, os grandes trabalhos no podiam ser feitos por mais ningum.

Mas se no conseguiu fazer o necessrio no tocante Educao Esprita, a verdade que deixou a sua obra doutrinria impregnada do ideal educacional. O Espiritismo, diziam-lhe os Espritos, tem por misso modificar o mundo inteiro. E Kardec afirmaria em O Livro dos Espritos, de acordo com a sua orientao anterior de pedagogo: "A educao a chave do progresso moral".

Encarando o problema da evoluo do mundo, Kardec adverte em sua obra fundamental: "O Esprito s pode avanar gradualmente. No pode transpor de um salto a distncia que separa a barbrie da civilizao" (perg. 271). A importncia da Educao Esprita ressalta deste trecho: "Encarnando-se com o fim de se aperfeioar, o Esprito mais acessvel na infncia s impresses que recebe e podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que esto encarregados da sua educao" (perg. 383).

A Educao Esprita aparece em Kardec tambm no seu aspecto transcendente. No apenas a educao do homem pelo homem. tambm a educao ministrada pelos Espritos Superiores.

Que bela viso desse processo educativo ele nos oferece neste trecho: "A verdadeira doutrina esprita est no ensino dos Espritos. Os conhecimentos que esse ensino encerra so demasiado srios para serem adquiridos sem um estudo profundo e continuado, feito no silncio e no recolhimento".
O ensino esprita
O que Kardec entendia por estudo profundo e continuado no era apenas autodidatismo, segundo parece sugerir a expresso: no silncio e no recolhimento. Alguns espritas desavisados escudam-se nessa expresso para condenar os cursos doutrinrios.

E o fazem em nome do pedagogo e professor que passou a sua vida dando cursos e nos deixou, no Projeto de 1886, este conselho que ao mesmo tempo uma advertncia:
Um curso regular de espiritismo seria dado com o fim de desenvolver os princpios da Cincia Esprita e propagar o gosto pelos estudos srios.

Esse curso ter a vantagem de criar a unidade de princpios, de obter adeptos esclarecidos, capazes de difundir as idias espritas e de desenvolver grande nmero de mdiuns.

Encaro este curso como capaz de exercer influncia capital no futuro do Espiritismo e em suas conseqncias.
Hoje, mais do que nunca, diante da expanso do Espiritismo em nosso pas e de sua repercusso no mundo, o problema do ensino esprita se acentua como necessidade imperiosa. O Espiritismo uma cincia, como ensinava Kardec, da qual resultam naturalmente uma filosofia e uma religio.

Seria possvel a divulgao de uma doutrina assim complexa, que toca em todos os ramos do saber, segundo o prprio Kardec afirmou, sem a criao de cursos regulares, dados por professores competentes? Quem negar isso deve estar seriamente afetado por uma doena muito grave, que nos vem da Idade da Pedra: a alergia cultura.
O Prof. Ramy Chauvin, da Escola de Altos Estudos de Paris, declarou h pouco tempo que existe entre os cientistas uma doena semelhante, e que deu o nome de alergia ao futuro.

No meio esprita constatamos hoje a existncia, em forma aguda e at mesmo delirante, de uma conjugao dessas duas formas de alergia.

Os espritas anti-culturais no querem os cursos (alergia cultura) porque temem as modificaes salutares que eles produziro na rotina das igrejinhas espiritides (alergia ao futuro). Querem continuar dormindo nas suas iluses, balanando-se na rede de suas idias fragmentrias e seus conhecimentos superficiais da Doutrina Esprita.

Podem escrever muito e falar demais, mas basta um ligeiro exame das suas idias para que a doena grave se revele na anlise.
O ensino esprita, como todo e qualquer ensino, requer sistematizao escolar. A fase sem escolas da Educao Esprita, como a de qualquer outra forma educacional, pertence aos primrdios do movimento esprita. E isso no se precisa demonstrar por argumentos, pois os fatos o esto demonstrando aos nossos olhos. Onde os fatos falam por si mesmos os argumentos ficam sobrando.

A rede escolar esprita hoje uma realidade concreta e se estende desde o grau mnimo ao grau mximo do ensino, desde o pr-primrio at o universitrio.
Alm dessa propagao, que vai num crescendo irreversvel, da escola esprita em todos os graus de ensino, temos os cursos de preparao doutrinrias nas Federaes, nos Centros, nos Grupos, nos Hospitais e assim por diante.

Temos ainda os Institutos de Cultura Esprita, que realizam cursos regulares e esto se multiplicando pelo pas. A escola esprita no mais um sonho, uma hiptese, uma utopia uma realidade concreta, social e cultural, que avana para um futuro esplendente.

Alguns observadores menos avisados (seria bom que estivessem avisados da inutilidade da luta contra o progresso) estranham o que chamam de mistura de matrias escolares com princpios espritas. Esse mais um grave sintoma de misonesmo. Revelam assim uma concepo muito estreita do Espiritismo, esquecendo-se de que o prprio Kardec afirmou em A Gnese, respondendo aos que perguntavam porque o Espiritismo veio to tarde, que isso aconteceu porque ele toca em todos os ramos da Cincias e era preciso que estas se desenvolvessem para que ele surgisse.
A tragdia esprita tem sido essa, desde o tempo do Codificador. H sempre em nosso meio um certo nmero de pessoas ilustradas que se revelam incapazes de abranger no seu entendimento as dimenses da doutrina. Empacaram no meio do caminho e no querem avanar nem permitir que os outros avancem. Talvez seja um fenmeno de apego afetivo, com fundas razes no egosmo. Querem o Espiritismo somente para elas ou para um reduzido nmero de eleitos entre os quais figuram. Mas desde que Eurpedes Barsanulfo fundou e dirigiu, com admirvel proveito, o Colgio Allan Kardec em Sacramento, l pelos idos de 1909, ningum mais conseguiu nem conseguir deter a marcha da escola esprita. Porque ela corresponde a uma necessidade vital desta fase de transio da vida terrena. uma exigncia da evoluo da Humanidade, do progresso da Terra.
Por isso mesmo a Educao hoje o tema mais importante da atualidade doutrinria. Todos querem progredir, esclarecer-se, orientar seus filhos. E todos sentem, todos sabem que a escola esprita a nica realmente capaz de preparar as novas geraes para a nova era que est surgindo. S os alrgicos resmungam contra essa maravilhosa vitria do Espiritismo no mundo, contra essa manifestao incontrolvel do poder das idias espritas que tudo arrastam em direo ao futuro. Felizes as novas geraes brasileiras, que dentro em breve podero formar-se inteiramente nas escolas espritas, recebendo a educao integral que s elas podem dar, sem as deturpaes dogmticas do sectarismo religiosa e sem as deformaes pretensiosas do academismo materialista.
Neste Natal devemos agradecer a Jesus a concesso que nos fez, permitindo ao Brasil a graa de ser o pas pioneiro da Educao Esprita na Terra. A Argentina j nos acompanha com entusiasmo. No Congresso de Mar Del Prata, no ano passado, o tema central de estudos e debates foi a Educao Esprita, que empolgou as delegaes da Confederao Esprita Pan-americana, revelando a unidade continental dos espritas a respeito. O Congresso, num dos itens das suas concluses, reconheceu a existncia da Educao Esprita em forma institucionalizada. Esse reconhecimento foi feito em face da situao escolar esprita no Brasil e graas revista Educao Esprita, que leva hoje para o mundo a boa nova das nossas realizaes educacionais.
Testemunho de Kardec
Kardec no foi apenas o iniciador da Educao Esprita. Foi tambm a primeira testemunha da eficcia dessa nova forma de educar. Na Revista Esprita de Fevereiro de 1864, no editorial intitulado Primeiras lies de moral na infncia (pgina 37 da edio brasileira) analisa com exemplos algumas contribuies do Espiritismo para modificar a educao vigente. E afirma: "Ele j prova a sua eficcia pela maneira mais racional por que so educadas as crianas nas famlias verdadeiramente espritas".

Esse testemunho de Kardec dos mais significativos por mostrar como toda forma nova de educao inerente a uma nova concepo do mundo.

Esse um princpio pacfico em filosofia educacional, mas os leigos no assunto no o conhecem. Por isso, muitas pessoas que falam e escrevem no meio esprita, podendo ser ilustradas em outros setores, chegam a estranhar que se fale em educao esprita, coisa que lhes parece estranha e descabida.

Um pouco de observao lhes mostraria que, sendo a educao o meio de transmisso da cultura, toda alterao fundamental no conhecimento, no saber, ter forosamente de repercutir na educao.
Por outro lado, esse testemunho de Kardec nos mostra que a Educao Esprita comeou bem cedo, na forma tradicional de educao familiar.

Nas famlias espritas da Frana de ento as crianas j eram iniciadas na maneira nova de ver o mundo que o Espiritismo oferece. O pedagogo e o educador que era Kardec no podia deixar de observar esse fato com alegria. Porque esse fato confirmava, ao mesmo tempo, o valor e a legitimidade da Filosofia Esprita pois toda Filosofia, como nos ensinam os mestres, desemboca fatalmente numa Moral, que por sua vez exige uma Educao para transmitir-se s novas geraes.

Formao do novo homem

A tarefa da Educao Esprita a formao de um homem novo. A Educao Clssica greco-romana formou o cidado, o homem vinculado cidade e suas leis, servidor do Imprio; a Educao Medieval formou o cristo, o homem submisso a Cristo e sujeito Igreja, autoridade desta e aos regulamentos eclesisticos; a Educao Renascentista formou o gentil-homem, sujeito s etiquetas e normas sociais, apegado cultura mundana; a Educao Moderna formou o homem esclarecido, amante das Cincias e das Artes, cptico em matria religiosa, vagamente desta em fase de transio para o materialismo; a Educao Nova formou o homem psicolgico do nosso tempo, ansioso por se libertar das angstias e traumas psquicos do passado, substituindo o confessionrio pelo consultrio psiquitrico e psicanaltico, reduzindo a religio a mera conveno pragmtica.

Nesse rpido esquema temos uma viso do desenvolvimento do processo educacional e de suas conseqncias. No pretendemos que seja uma viso perfeita e completa. apenas um esboo destinado a nos orientar na compreenso do assunto. E vemos que ele pode nos dar uma idia negativa da Educao, mas se refletirmos a respeito veremos o contrrio.

Do homem submisso ao Estado ou a Deus, preso a leis, regras e convenes que o amoldam e desfiguram, avanamos para o homem livre do futuro, responsvel por si mesmo, que chega a se revoltar contra o prprio Deus no seu profundo anseio de liberdade, mas sempre em busca da sua afirmao como Ser.
Essa afirmao a que nos traz o Espiritismo com as provas cientficas da sobrevivncia e a perspectiva da imortalidade, com a desmitizao da morte, com a racionalizao do nebuloso conceito de Deus e de suas relaes com o homem, com o esclarecimento decisivo do destino do homem e da razo de ser da vida e suas peripcias.

Cabe, portanto, Educao Esprita formar o homem consciente do futuro, que j comea a aparecer na Terra, senhor de si, responsvel direto e nico pelos seus atos, mas ao mesmo tempo reverente a Deus, no qual reconhece a Inteligncia suprema do Universo, causa primria de todas as coisas.

No mais possvel educar as geraes novas segundo nenhum dos tipos anteriores de Educao. Da a rebeldia que vemos nas escolas, a inquietao da juventude, insatisfeita com a ordem social e cultural, ambas obsoletas, em que se encontram.

A Educao Esprita se impe como exigncia dos tempos. S ela poder orientar os espritos para a formao do homem novo, consciente de sua natureza e de seu destino, bem como de pertencer Humanidade Csmica e no aos exguos limites da humanidade terrena.

S ela pode nos dar, nesse homem novo, a sntese de todas as fases da evoluo anterior, numa formulao superior. Porque o homem esprita ou o homem consciente que essa nova Educao nos dar, ser ao mesmo tempo o cidado, o cristo, o gentil-homem, o homem esclarecido e o homem psicolgico, mas na conjugao de todos esses elementos numa dimenso espiritual e csmica.

Com isso no queremos dizer que toda a Humanidade se converta ao Espiritismo, mas to somente que os princpios fundamentais do Espiritismo sero as coordenadas do futuro, marcando o mbito conceptual e tico da nova formao educacional.

No foi necessrio que toda a Humanidade se convertesse ao Cristianismo para que os princpios deste remodelassem o mundo. O mesmo acontecer com o Espiritismo.

A funo da Educao Esprita portanto a de abrir perspectivas novas ao processo educacional, adaptando-o s necessidades novas que surgiram com o desenvolvimento cultural e espiritual do homem. As escolas espritas como as escolas crists o fizeram sero os centros dinamizadores da renovao. E a Pedagogia Esprita como o fez a Pedagogia Crist orientar a nova concepo educacional que est nascendo em nossos dias.

Por outro lado, correntes avanadas da Pedagogia Contempornea, como especialmente a do no-kantismo, representada por Kerchensteiner na Alemanha e Ren Hubert na Frana, daro sua contribuio para o desenvolvimento dessa profunda revoluo educacional em marcha.

Seria bom, por sinal, que os educadores espritas procurassem aprofundar-se no estudo do Trait de Pdagogie Gnrale, de Hubert, que nos parece um verdadeiro monumento de renovao educacional dentro das coordenadas espritas.

Como vemos, o nascimento da Educao Esprita ainda no se completou. Comeando com Kardec, h mais de um sculo, ainda est se processando em nossos dias. Por isso mesmo, somos todos convocados a participar desse acontecimento espiritual, contribuindo cada qual da maneira que puder para que ele se complete o quanto antes.


Do livro: Pedagogia Esprita

Autor: Jos Herculano Pires

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