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Para Refletir...

"A incompreensão dói. Contudo, oferece-nos excelente oportunidade de compreender. O desespero destrói. Diante dele, porém, encontramos ensejo de cultivar a serenidade." - André Luiz

 

Poucas vagas na escola

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- A alma reencarna logo depois de se haver separado do corpo ?
- Algumas vezes reencarna imediatamente, porém de ordinário só o faz depois de intervalos mais ou menos longos.(...)
Questão nº 223 do Livro dos Espíritos.

O velhinho era reencarnacionista convicto, mas isso não o animava muito.

- Estou com noventa e quatro anos. Preocupa-me saber que meus pais desencarnaram há quarenta e cinco anos. Três decênios decorreram desde que minha esposa partiu. Perto de meio século marca o falecimento de um filho adolescente. Depois de tanto tempo, não os reencontrarei na Espiritualidade, quando Deus me chamar. Reencarnados, integrados em nova personalidade, nova família, nossa ligação perecerá.

Este raciocínio é freqüentemente usado por aqueles que não aceitam a reencarnação. Ressaltam que nessas idas e vindas perdemos de vista nossos amados, dissolvendo-se as ligações afetivas.

Não é nada disso.

Se a convivência faz o amor, este, quando consolidado, perdura sempre, ainda que, eventualmente, fiquem sem conviver os que se amam.

Tanto é assim que os Espíritos que se adiantam, estagiando em planos mais altos, tornam-se tutelares de seus amados, amparando-os sempre, na Terra ou no Além.

Podem, portanto, alterar-se os cenários e os papéis desempenhados por nós, no teatro da Vida, mas o amor legítimo será sempre imutável e imorredouro.

***

Por outro lado, a reencarnação não é um ioiô evolutivo, em que o Espírito envolve-se com um suceder de giros reencarnatórios, sem tempo para tomar fôlego na Espiritualidade.

A existência física é apenas um estágio escolar, onde cultivamos disciplinas compatíveis com nossas necessidades evolutivas. Nossa morada está no Plano Espiritual.

Nenhum aluno reside na escola. Permanece ali bem menos do que se imagina. Considerando que o ano letivo tem cento e oitenta dias, com carga horária de aproximadamente cinco horas diárias, concluímos que o colégio ocupa perto de um décimo de seu tempo.

Algo semelhante ocorre em nossas experiências no educandário terrestre. E tanto mais ficaremos em casa, na Espiritualidade, quanto mais amplamente superarmos nossas imperfeições, já que é para isso que nos submetemos às experiências reencarnatórias.

Os Espíritos superiores raramente vêm à carne. Quando o fazem é para nos ensinar, em gloriosas missões, porquanto nada têm a aprender aqui.

Infundado, pois, o temor de que não encontraremos os familiares que nos antecederam no retorno à Espiritualidade. Salvo em circunstâncias excepcionais, nossa permanência no Além é longa, para mais de cem anos.

***

Isso ocorre também por um problema de disponibilidade de vagas na escola terrestre.

Freqüentemente, nas manifestações de benfeitores espirituais, ouvimos exortações assim:

- Aproveitem a oportunidade que Deus lhes concedeu. Lutem contra suas imperfeições. Empenhem-se em favor da própria renovação. Pratiquem o bem, conquistem lastros de virtude. Valorizem a bolsa de estudos na reencarnação, porquanto há extensas filas de Espíritos esperando a chance do recomeço.

Essa demora significa que a intermissão, o tempo que separa duas encarnações, é mais ou menos longo.

Fácil perceber isso, analisando uma informação do Espírito André Luiz, em psicografia de Francisco Cândido Xavier, publicada no Anuário Espírita, de Araras, edição de 1964.

Segundo o apreciado mentor, a população desencarnada da Terra andava perto de vinte e um bilhões de Espíritos.

Naquele ano o número de encarnados era de aproximadamente três bilhões, a oitava parte da população global. Se esta permanecesse estática, com uma média de cinqüenta anos para a jornada humana (considerando países desenvolvidos e subdesenvolvidos), demandaria quatrocentos anos para que todos tivéssemos uma experiência reencarnatória.

Como a população encarnada vem crescendo sempre (atualmente somos perto de cinco bilhões e trezentos milhões), e há Espíritos que não reencarnam mais ou o fazem a espaços muito dilatados, a intermissão pode ser reduzida a perto de duzentos anos.

Trata-se de uma especulação, mas dá para sentir que forçosamente passamos mais tempo no Além. A demanda é bem maior do que a "oferta de vagas".

Não há, portanto, razão para temermos não reencontrar, no Plano Espiritual, aqueles que nos precederam.

Tão certo quanto a própria morte será o reencontro dos que se amam de verdade, com aquela fidelidade que supera as barreiras do espaço e do tempo.

***

Cientistas que pesquisam a reencarnação, com a regressão de memória por hipnose ou indução, têm confirmado que embora varie muito a intermissão, podendo ultrapassar mil anos, há uma média em torno de duzentos e cinqüenta anos.

Há as notáveis pesquisas em torno das reminiscências espontâneas. Algumas crianças recordam a existência anterior, com tal riqueza de detalhes que chegam a confundir os adultos.

Imaginemos um menino a reclamar aos genitores:

- Não sei o que estou fazendo nesta família. Meus pais de verdade residem em outra cidade. Tenho outros irmão. Sou casado, tenho filhos...

Uma bela confusão gerada por personalidades superpostas de uma individualidade.

Os pesquisadores constatam que a intermissão, nesses casos, é brevíssima, não ultrapassando os vinte anos, o que parece contrariar a tese de que é longo o intervalo que separa duas encarnações.

Na verdade é uma confirmação. Fácil entender porque:
A criança só lembra da vida passada porque ficou pouco tempo no Plano Espiritual. Se estes casos são raros isto significa que a intermissão curta é uma exceção.

***

Não vai longe o dia em que a reencarnação será reconhecida pela comunidade científica, preenchendo certas lacunas na teoria evolucionista de Darwin.

Ficarão espancados os cientistas ao constatarem que todas as conseqüências culturais, sociais e morais, relacionadas com o conhecimento das vidas sucessivas, estavam perfeitamente delineadas e definidas nas obras básicas da Doutrina Espírita, com a marcante contribuição de Allan Kardec.

A posse desse conhecimento abençoado, antes que a Ciência o desdobre, implica num compromisso:
Compete-nos desenvolver uma consciência reencarnatória, valorizando o trânsito pela escola terrestre, onde devemos agir como alunos aplicados nas lições da vida.

Somente assim, de retorno ao lar, estaremos habilitados à felicidade que almejamos, no dilatado estágio na Espiritualidade, como sugere David, no famoso Salmo XXIII:

E na casa do Senhor habitarei por longos dias.

Do livro: Quem tem medo dos Espíritos ?

 

 

 

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