1

Para Refletir...

"A alma humana como a gua: ela vem do Cu e volta para o Cu, e depois retorna Terra, num eterno ir e vir." - Goethe

 
Erro
  • XML Parsing Error at 1:102. Error 9: Invalid character

Reflexos Condicionados

PDFImprimirE-mail
Avaliação do Usuário: / 0
PiorMelhor 

SUMRIO:1. Introduo. 2. Conceito. 3. Histrico: 3.1. O Problema da Originalidade; 3.2. De Galenus (Galeno) a Ren Descartes; 3.3. De Ren Descartes a Thomas Willis.3.4. De Thomas Willis a Pavolv. 4. Pavolv e os Reflexos Condicionados: 4.1. Iv Pavlov; 4.2. A Tcnica de Pavlov; 4.3. Aplicao em Propaganda. 5. Espiritismo: 5.1. Automatismo e Corpo Espiritual; 5.2. Reflexos Psquicos; 5.3. Fenmeno Hipntico e Mediunidade. 6. Atitude e Mudana Comportamental. 7. Concluso. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUO

Uma das maiores generalizaes da cincia biolgica que todo o organismo vivo tende a variar suas atividades em resposta mudana das condies do ambiente. Quando as circunstncias externas modificam-se, os animais procuram adaptar-se nova situao. O co faminto, por exemplo, dirige-se ao lugar em que normalmente come. No encontrando o seu alimento, busca outras alternativas at saciar a sua fome. Por outro lado, os pssaros deslocam-se de um lugar para outro, a fim de se ajustarem s condies climticas. O propsito desta palestra estudarmos, em conjunto, a mudana e a adaptao do comportamento humano. Desta forma, o nosso trabalho versar sobre os seguintes itens: o conceito de reflexo, histrico, a contribuio de Pavlov, a tica esprita e a mudana comportamental.

2. CONCEITO

Reflexo: ao incidir sobre uma superfcie, a luz se reflete, ficando porm retida uma parte, cuja energia absorvida. A superfcie da gua pode ou no refletir a luz de acordo com o seu estado. (Enciclopdia Luso-Brasileira)

Reflexo: - do lat. reflexu "voltado para trs", "revirado", "retorcido". Adj. Que se volta sobre si mesmo; reflexivo (Dicionrio Aurlio). Fisiologia: resposta de um rgo efector (msculo ou glndula), resultado da estimulao de receptores ou das vias nervosas que lhes correspondem. Ser involuntrio e automtico. Em outras palavras, reao involuntria, sensorial ou motora, a um estmulo exterior. (Enciclopdia Luso-Brasileira)

Reflexos Congnitos ou Incondicionados: so os chamados protetores, alimentares, posturais e sexuais, detentores de vias nervosas prprias, como que hauridos da espcie, seguros e estveis, sem necessidade do crtex. (Andr Luiz, Mecanismos da Mediunidade, p. 92)

Reflexos Adquiridos ou Condicionados: respostas conseguidas por estmulos diferentes daqueles que primitivamente as provocavam, por meio de associao ao estmulo normal em condies preestabelecidas para se obter o chamado condicionamento (Enciclopdia Luso-Brasileira). Em outras palavras, so os que se produzem sob determinadas condies, independentemente do estmulo direto.

3. HISTRICO

3.1. O PROBLEMA DA ORIGINALIDADE

No campo religioso, reportamo-nos ao cl totmico; no campo da filosofia, ou dos temas filosficos, buscamos Scrates, Plato e Aristteles; no mbito da medicina, Hipcrates etc. De acordo com Pessoti, em Pr-Histria do Condicionamento, "A noo ou conceito de movimento reflexo ou comportamento reflexo , por exemplo, um assunto no qual vrios "pais" da idia foram proclamados, de acordo com um conceito de reflexo prprio de cada historiador e fruto da perspectiva histrica e terica de anlise em que este se coloca" (1976, p. 1). Por exemplo, diversos pesquisadores atriburam a Albrecht von Haller (1708-1777) a descoberta de dois fatos revolucionrios na fisiologia do movimento: insensibilidade e irritabilidade. Na verdade, Haller no descobriu a irritabilidade nem a insensibilidade mas tentou com incoerncia e alguma pressa contestar conhecimentos solidamente estabelecidos por seus antecessores, servindo-se de experimentos discutveis embora numerosos (Pessotti, 1976, p.1).

3.2. DE GALENUS (GALENO) A REN DESCARTES

A histria do reflexo est estreitamente ligada quer s origens do estudo experimental do comportamento, quer formao da fisiologia nervosa. Muitas pesquisas sobre a gnese da noo de reflexo atribuem a Ren Descartes. H interpretaes controvertidas acerca do papel da fisiologia mecanicista cartesiana na formao histrica do conceito de reflexo. A teoria cartesiana incontestavelmente uma "teoria mecanicista, mas no a teoria do reflexo" (Pessotti, 1976, p.16). Galeno (131-200 d. C.) no se enveredou pelo lado filosfico, mas sim pela observao sistemtica e controlada, o que foi possvel graas introduo da tcnica da vivisseco.

3.3. DE REN DESCARTES A THOMAS WILLIS

Os elementos fundamentais da neurofisiologia cartesiana eram: a) concepo dos "espritos animais"; b) concepo de nervo; c) processo de conduo do impulso nervoso. Os espritos animais, para Descartes, eram o resultado de transformao do sangue aquecido pelo corao. Para Willis, so produzidos no encfalo e mais exatamente no crebro e cerebelo, mas no no corao (Pessotti, 1976, p. 20).

3.4. DE THOMAS WILLIS A PAVLOV

Borelli, fundador da escola iatromecanica, cuja explicao do movimento deve ser procurada nas leis da mecnica e da matemtica, substitui os "espritos" de Descartes e de Willis, por um lquido nervoso, succus nerveus, que corre atravs das fibras dos nervos. Von Haller estuda a irritabilidade. Robert Whytt o primeiro a falar da ao reflexa em harmonia com os dados experimentais, Marshall Hall (1790-1857) apresenta uma rigorosa distino entre movimentos voluntrios e involuntrios, num artigo lido diante da Royal Society, I. M. Schenov estuda os reflexos do crebro e Ivan Pavlov o condicionamento dos reflexos. (Pessotti, 1976, p. 28 a 122)

4. PAVLOV E OS REFLEXOS CONDICIONADOS

4.1. IV PAVLOV

Nasceu em 1849, ano em que morria um importante especialista da fisiologia experimental, Filomafitsky (autor da primeira fstula estomacal), cujo nome est ligado histria de Pavlov, por causa da abertura do estmago, in vivo.

Pavlov completara quatro anos de idade, quando as idias de Marshall Hall sobre a "funo reflexa" eram j de domnio geral entre os fisiologistas. Aos onze anos, Pavlov era estudante no seminrio de Riazan e em 1861 conheceu os princpios de Pissarov que atacava os preconceitos relativos pesquisa cientfica e s resistncias que se opunham ao desenvolvimento cultural do pas.

O mtodo cientfico absorvido de Pissarov f-lo dar importncia experimentao, passando a combater toda a forma de preconceito metafsico no estudo dos processos fisiolgicos (Pessotti, 1976, p. 113).

Seus professores so expulsos do pas. Tem dificuldade de arrumar emprego. Por fim convidado por Botkine, e pode realizar importantes pesquisas sobre a digesto, que o tornaram uma personalidade cientfica de fama internacional: tratava-se de numerosos trabalhos com os quais aperfeioou a tcnica de abrir "fistulas" ou "janelas" para observar in vivo os processos internos dos animais.

4.2. A TCNICA DE PAVLOV

Pavlov, como fisiologista, esteve por muito tempo interessado em glndulas e suas secrees. Por esta razo e porque as reaes glandulares so facilmente medidas, as primeiras reaes condicionadas so salivares.

A Experincia de Pavlov foi feita sob rigoroso controle. Pegou um co, amarrou-o, isolou-o de muitos barulhos externos, tais como os da rua e de outros cachorros, a fim de ter o mnimo de discrepncia em sua concluso. Pavlov sabia que colocando um pouco de cido na boca do co, este emitia saliva. Por outro, um som qualquer no o fazia emitir. O seu experimento consistia, ento, em colocar o cido na boca do co, ao mesmo que tocava uma campainha. Depois de vrias repeties, deixava de colocar o cido e somente com o som da campainha, o co comeava a salivar. Quis mostrar que o estmulo inicial cessado, o co reagia pelo efeito condicionado (Shaffer, 1936, p.56-57)

4.3. APLICAO EM PROPAGANDA

Os operadores de marketing, aqueles que querem vender os seus produtos, utilizam o processo de reao condicionada (de compra), baseado em Pavlov. As condies so: repetio, intensidade e clareza (ou simplicidade) dos estmulos. Observe que os anncios so cheios de cores, rpidos e repetitivos. Quantas vezes no vemos uma mesma informao? Ou um mesmo comercial? Alm do mais, os psiclogos sociais observam a questo do comportamento refletido, que se aproxima do homo aeconomicus e o comportamento semi-refletido ou irrefletido, que deste se distancia. (Reynaud, 1967, p. 58 e 59).

5. ESPIRITISMO

5.1. AUTOMATISMO E CORPO ESPIRITUAL

Atividades reflexas do inconsciente: a proposio de escrever requer todo um aprendizado prvio. Como? Aprender letra, soletrar, escrever etc. No campo do Esprito vestir a matria densa e desvestir-se. o processo de encarnao e desencarnao.

Automatismo e herana: "Se, no crculo humano, a inteligncia seguida pela razo e a razo pela responsabilidade, nas linhas da civilizao, sob os signos da cultura, observamos que, na retaguarda do transformismo, o reflexo precede o instinto, tanto quanto o instinto precede a atividade refletida que base da inteligncia nos depsitos do conhecimento" (Andr Luiz, Evoluo em Dois Mundos, p. 39)

5.2. REFLEXOS PSQUICOS

Toda a mente vibra na onda de estmulos e pensamentos em que se identifica. Nos ces de Pavlov, comer ato automtico. A carne hbito adquirido. nesses reflexos condicionados da atividade psquica que principiam para o homem de pensamentos elementares os processos inconscientes da conjugao medinica, ou seja, emisso e recepo de ondas. Nesse sentido, conversao, leitura e filmes representam agentes de induo extremamente vigorosos (Andr Luiz, Mecanismos da Mediunidade, p. 93).

5.3. FENMENO HIPNTICO E MEDIUNIDADE

Ateno, concentrao, meditao e xtase so fases para melhoria da passividade medinica. O hipnotismo, o circuito magntico, o circuito medinico so termos que usamos para facilitar a comunicao medinica. Assim sendo, todos somos mdiuns, porque todos somos passveis de receber as inspiraes do mundo espiritual.

6. ATITUDE E MUDANA COMPORTAMENTAL

Atitude a maneira coerente e peculiar de reagir a determinados estmulos. Seus componentes so: "pensamentos", "crenas", "sentimentos ou emoes" e "tendncias para reagir". As atitudes so aprendidas pelos princpios da "associao, da "transferncia" e da "satisfao das necessidades"

Por que a mudana de atitude mais difcil do que o aprendizado?

que alteramos o componente pensamento-crena, sem afetar o sentimento e tendncia reativas. Estudos da Psicologia Social tem mostrado que existe primeiramente dificuldade de persuaso, principalmente nos crdulos, que dependem do lder e dificultam a absoro de proposies alheias. Esses psiclogos verificaram que a estratgia para mudar um componente da atitude realinha todos os outros componentes na mesma direo. Quanto maior o tempo que um automatismo foi recalcado mais difcil sua mudana. Veja-se por exemplo, a obsesso que segue varias encarnaes. Como rebentar de uma vez os laos que esto jungidos por longo tempo.

A CONFIANA NO PROFESSOR SOCIAL, afirmam eles, extremamente til para auxiliar nossas mudanas comportamentais. (Kardec, 1978, p. 4 a 18)

7. CONCLUSO

A questo da reformulao de nossas atitudes uma questo de profundidade. O que seria a reforma ntima no contexto dos reflexos condicionados? Seria mudar as nossas respostas aos velhos estmulos. como uma pessoa no trnsito em que costuma responder com um palavro ao estmulo de uma fechada. At que se exercitando acaba por aceitar a situao, no se ofendendo com o que aconteceu.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

  • FERREIRA, A. B. de H. Novo Dicionrio da Lngua Portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1975.
  • KARDEC, A. A Obsesso. 3. ed., So Paulo, O Clarim, 1978.
  • PESSOTTI, I. Pr-Histria do Condicionamento. So Paulo, Hucitec, 1976.
  • REYNAUD, P. L. A Psicologia Econmica. So Paulo, Difuso Europia, 1967.
  • SHAFFER, L. F. The Psychology of Adjustment: An Objective Approach to Mental Hygiene. USA, Houghton Mifflin, 1936.
  • XAVIER, F. C. e VIEIRA, W. Evoluo em Dois Mundos, pelo Esprito Andr Luiz, 4. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.
  • XAVIER, F. C. e VIEIRA, W. Mecanismos da Mediunidade, pelo Esprito Andr Luiz. 8. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.

 

 

 



Adicione este artigo nas suas redes sociais!
 

Seja Bem Vindo!