1

Para Refletir...

"A paz em ti ajudará a produzir-se a paz no mundo." - Joanna de Ângelis

 

A missão do brasil como pátria do evangelho. - VI

PDFImprimirE-mail
Avaliação do Usuário: / 1
PiorMelhor 

O SÉCULO XIX.

o espiritaO século XIX, entre outros acontecimentos, nos trouxe o Consolador prometido por Jesus. Façamos aqui um parêntese, a fim de falarmos um pouco sobre o Consolador que Jesus um dia nos prometeu. Logo após, voltaremos ao relato dos fatos. Para falar no Consolador, é bom voltar no tempo e no espaço.
Voltemos à Palestina, quando Jesus, vendo aproximar-se o seu retorno para a espiritualidade, assim falou: "Se vós me amais, guardai meus mandamentos e eu rogarei a Meu Pai e Ele vos enviará um outro Consolador fim de que permaneça eternamente convosco.

(...) o Consolador, que é o Santo-Espírito que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo aquilo que vos tenho dito" -(João, cap. XlV, v. 15 -17). Pouco tempo após essa promessa, Jesus volta ao Mundo Espiritual e 40 dias depois, estando Maria, Sua Mãe, no Cenáculo, em companhia dos discípulos, de repente surgem, como se fossem línguas de fogo que se distribuíam pelos discípulos, que a partir daí começam a falar vários idiomas diferentes e falam também das grandezas de Deus. Lembrando as palavras de Jesus, prometendo que mandaria um Consolador, as pessoas, naquela época, (ainda hoje há quem pense assim), julgaram que aquele acontecimento, que ficou conhecido como a vinda de Pentecostes, era o Consolador que chegava. Mas hoje, não há mais razão para se pensar assim, pois, conforme disse o próprio Jesus, o Consolador teria que atender a duas condições: esclarecer tudo aquilo que naquela época, em virtude da pouca evolução espiritual, as pessoas não tinham condições de entender; lembrar tudo o que havia sido esquecido. Ao que se sabe, a vinda de Pentecostes não fez nenhum esclarecimento a respeito dos ensinamentos de Jesus. Os discípulos continuaram a pregar os evangelhos como vinham fazendo, não acrescentando nada de novo, e também, como fazia pouco tempo da volta de Jesus para a Pátria espiritual, os seus ensinamentos eram ainda muito recentes, nada havia sido esquecido. Logo, temos todas as razões para afirmar que a vinda de Pentecostes não foi a vinda do Consolador prometido por Jesus; e ao mesmo tempo, temos todas as razões para afirmar que o Espiritismo é realmente o Consolador prometido, pois ele é o único que atende às duas condições impostas por Jesus, na ocasião da Sua promessa. O Espiritismo esclarece tudo aquilo que naquela época não se tinha condições de entender e nos lembra tudo o que, no decorrer dos séculos, foi caindo no esquecimento.

Que ensinamentos foram esses, que naquela época não foram entendidos?

Reencarnação. Quando Jesus disse a Nicodemos "-em verdade, em verdade, vos digo: ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo" (João, 3: 1 a 12) as Suas palavras não foram bem entendidas. Ainda hoje, algumas pessoas acreditam que, naquela ocasião, Jesus se referia ao batismo.
Mas Nicodemos compreendeu o sentido em que Jesus falou; tanto é que ele perguntou: Como pode um homem já velho voltar a entrar no ventre de sua mãe?
Vê-se aí que Nicodemos entendeu que Jesus estava dizendo: Nascer de novo, mesmo, nascer outra vez. Na parábola do Filho pródigo (Lucas, 15: 11 a 32), Jesus deixa bem claro que teremos uma nova oportunidade, e essa oportunidade é a reencarnação. Também aí, a mensagem não foi entendida. A Lei de Causa e
Efeito. Foram muitas as ocasiões em que Jesus se referiu à essa Lei. Ao curar o paralítico, Jesus disse: "-Homem, perdoados são os teus pecados". ( Mateus, 9:1 a 8), mostrando assim que aquela paralisia era consequência de erros do passado, e que já estavam resgatados. Outra ocasião Ele disse: "Não julgueis, para que não sejais julgados; porquanto, com o juízo com que julgardes, sereis julgados"; "a medida que usardes para medir vosso irmão, dessa mesma usarão convosco"(Mateus, 7: 1 a 6); Na ocasião em que os soldados chegaram para prender Jesus, Pedro, num gesto impulsivo, feriu um deles, cortando-lhe a orelha.
Então o Mestre falou: "-Embainha a tua espada Pedro, pois todos que tomarem a espada morrerão à espada. (João, 18: 2 a 12). As pessoas ouviam estas palavras, mas não entendiam o seu verdadeiro sentido. Naquelas ocasiões, Jesus nos ensinava que responderemos à altura por tudo o que praticarmos. "Lei de Causa e Efeito." Outras frases também foram ditas e as pessoas não entenderam. "Na Casa do Pai, há muitas moradas"(João: 14: 1 a 31). Aí, Jesus se referia aos vários mundos habitados. Ainda hoje, há pessoas que acreditam que só o nosso Planeta
é habitado.

"Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?" (Mateus, 3: 20, 21). Com estas palavras, Jesus dizia que somos uma família universal. Somos todos irmãos, filhos de um mesmo Pai.
O Espiritismo esclarece todas estas expressões. Ele nos faz mergulhar nos ensinamentos de Jesus e extrair deles o seu verdadeiro sentido. Só o Espiritismo faz isso.

E o que caiu no esquecimento? Também a Reencarnação. Os primeiros cristãos eram reencarnacionistas. Mais tarde, principalmente após o surgimento do Catolicismo Romano, quatro séculos após a vinda de Jesus, essa crença foi ficando esquecida pela grande maioria da humanidade. Foram esquecidas também: as práticas socorristas: passe, água fluidificada, diálogo para orientar e amparar os espíritos impuros. O Espiritismo repete tudo aquilo que Jesus fazia. Nas Casas espíritas aplicam passes, fluidificam a água e nas reuniões mediúnicas, em vez do exorcismo adotado, tanto pelo catolicismo, como pelo protestantismo, os espíritas doutrinam os obsessores, conscientizando-os para buscarem em Jesus, a ajuda que necessitam para o seu crescimento espiritual.
Os espíritas não tratam os espíritos obsessores pelo nome de espíritos maus.
Sabem que eles são seus irmãos. Podem até terem sido seus parentes em outras encarnações. Eles os chamam de irmãos sofredores, infelizes necessitados de apoio e orientação. Não adotam o exorcismo. Primeiro, porque não foi isso o que Jesus ensinou; segundo, porque não querem simplesmente expulsar os espíritos obsessores, afastando-os para bem longe. Querem ajudá-los, orientá-los para que saiam do estado de sofrimento em que se encontram, e isso só se consegue com o diálogo, a doutrinação. Foi isso o que Jesus nos ensinou. Como exemplo temos o episódio do obsediado de Gadara quando Jesus dialogou com o espírito
obsessor, perguntando-lhe: "Qual o teu nome?" Ele então lhe respondeu: "Legião é o meu nome, porque somos muitos". (Mat., 8: 28 a 34). Por tudo isso podemos afirmar, com segurança, que o Espiritismo é o Consolador prometido, pois atende perfeitamente às condições impostas por Jesus.

Fechando o parêntese, continuemos a relatar os fatos, verificando o Divino Mestre a decadência espiritual das Igrejas mercenárias, que assim agiam em Seu nome, (é do conhecimento de todos o comércio que as igrejas estavam fazendo, naquela época, com a venda das indulgências, uma das causas da Reforma), e verificando que a humanidade já estava amadurecida o suficiente para receber o Consolador por Ele prometido, iniciam-se então os preparativos para a vinda do Consolador. Em uma das assembleias espirituais, presidida pelo divino Mestre Jesus, foi por Ele destacado um dos Seus grandes discípulos para vir à Terra organizar, compilar ensinamentos, oferecendo um método aos estudiosos, a fim de levar a todos o conhecimento dessa Doutrina Consoladora, que foi um dia por Ele anunciada e prometida. Foi com esta missão, que a 3 de outubro de 1804, na cidade de Lion, na França, reencarnou Hypollite Leon Denizard Rivail, que mais tarde se tornou mundialmente conhecido pelo nome de Allan Kardec. Segundo os planos do invisível, o grande missionário contaria com um grupo de auxiliares, uma plêiade de espíritos superiores, para coadjuvá-lo na sua obra. Veio então J. B. Roustain, Leon Denis, Gabriel Delane e Camile Flamarion. Todos estes muito cooperaram na Codificação Kardequiana, ampliando-a com os conhecimentos necessários. Constatando então que havia chegado o momento, iniciaram-se os fenômenos que atrairiam a atenção do mundo para as manifestações espíritas.
Surgiram na América do Norte, na cidade de Hydesville, os fenômenos de efeitos físicos, com as irmãs Fox. Mais tarde, na França surgiram as mesas girantes, as quais, não sendo bem compreendidas, logo se transformaram em brincadeira de salão. Foi quando o nosso Kardec, na época, Hypollite Leon Denizard Rivail, tomando conhecimento desse fato, julgou a princípio que se tratava apenas de magnetismo, porém, logo a seguir, verificou que por trás daquelas mesas havia algo de muito sério, pois elas não só giravam e corriam, mas também davam respostas inteligentes. A partir daí, começaram os seus estudos, tendo como resultado a codificação da Doutrina Espírita, que, como o nome indica, não foi criada por Kardec, não é criação humana, mas é a Doutrina dos Espíritos.
A comunicação do Anjo a Maria, de que ela seria a mãe de Jesus, foi uma comunicação mediúnica de efeitos físicos: vidência e audiência. E assim por diante. São várias as passagens que nos mostram que as manifestações espíritas ou mediúnicas sempre existiram. Seria então o caso de se perguntar: por que a importância tão grande dos fenômenos de Hydesville e das mesas girantes? É que até aí os fenômenos espirituais eram esporádicos, não tinham uma sequência. Consistiam apenas em revelações, o que fazia pensar que só algumas pessoas tinham condições de receber. Em Hydesville, porém, aconteceu o diálogo e a frequência, pois eles continuaram a se repetir. As mesas girantes foram também um fenômeno que se repetiu frequentemente. Estava assim mostrada a possibilidade do intercâmbio com o mundo espiritual, e que todos podem receber estas comunicações.

O Espiritismo foi codificado na França pelo missionário Kardec mas, à semelhança da árvore do Evangelho, inicialmente plantada na Palestina, lá não encontrou eco. O Espiritismo, na França, não foi aceito nos seus três aspectos: Filosofia, Ciência e Religião. Na França, o aspecto religioso ainda hoje não é aceito. A Doutrina Espírita, porém, não prescinde de nenhum destes aspectos, pois se algum deles lhe faltar, ela estará incompleta.

A História se repete. Na França, o Espiritismo não foi aceito nos seus três aspectos, mas o Brasil a recebeu integralmente, e hoje, com alegria, nos vemos na condição de o maior País espírita do mundo. A Humanidade necessita dessa Doutrina que lhe traz lições tão valiosas, pois só os seus ensinamentos conseguem levar o homem a alcançar a sua reforma íntima, aquela reforma que nos ensinou o apóstolo Paulo: "que faz morrer o homem velho e despertar o homem novo", que há em cada um de nós. Nessa Doutrina Consoladora, aprendemos a conhecer quem somos, de onde viemos e para onde vamos; aprendemos a amar e a perdoar; aprendemos a fazer o bem sem olhar a quem, aprendemos que fora da caridade não há salvação; e aprendemos também que devemos dar de graça o que de graça recebemos.

Mais uma vez a Bahia cumpre o seu papel histórico. Ela é o berço do Brasil, pois foi lá que Cabral aportou pela primeira vez em nossa Terra, e é também o berço do Espiritismo organizado no Brasil, pois foi lá, mais precisamente na cidade de Salvador, que foi criado por Luís Olímpio Teles de Menezes, em 1865, uma sociedade regida por estatutos, com o nome de "Grupo Familiar do Espiritismo", sendo assim o primeiro e legítimo grupo de espíritas no Brasil, e a sua finalidade era divulgar e incentivar a criação de outras sociedades semelhantes pelo resto do País. Algum tempo antes disso, em 1853, as manifestações das mesas girantes entraram no Brasil. Despontaram ao mesmo tempo no Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Bahia, mas essas atividades eram desenvolvidas em pequenos grupos familiares. As dificuldades foram muitas, mas o dinamismo e o amor de Luís Olímpio Teles de Menezes a tudo superou, e graças ao seu esforço, em julho de 1869, três meses após o desencarne de Kardec, surgiu na Bahia o primeiro periódico espírita: "O Eco d'Além Túmulo". Mais tarde, em janeiro de 1883, Augusto Elias da Silva lança o "Reformador". Essa Revista, centenária, vem sendo mantida permanentemente em circulação, até hoje. Estas e muitas outras iniciativas tomadas pelos espíritas daquela época instalaram definitivamente o Espiritismo no Brasil. Nem todos os espíritas modernos conhecem o trabalho intenso dos bandeirantes do espiritismo naquela época. Lutaram contra as trevas do mundo invisível, contra o insulto, à opinião e a descrença das pessoas, e por muitas vezes foram ridicularizados, mas sempre contando com a ajuda de Ismael e dos seus mensageiros, as dificuldades foram vencidas, e hoje vemos com alegria o Espiritismo a se estender por todo o nosso território, e também pelo mundo inteiro.


A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho
Célia Urquiza de Sá
(À luz da obra "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho",
de autoria de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Humberto de Campos.)

Artigos Relacionados:
A missão do brasil como pátria do evangelho. -VIII (5579 Acessos)
CONSIDERAÇÕES FINAIS. Diante do exposto, a que conclusão chegamos? Somos o Coração do Mundo, Pátria do Evangelho? Ou não somos?...
A missão do brasil como pátria do evangelho. - VII (4673 Acessos)
FEDERAÇÃO ESPIRITA BRASILEIRA O Brasil já contava com várias sociedades espíritas prestigiosas, mas contrariando as instruções do...
A missão do brasil como pátria do evangelho. - V (3519 Acessos)
O MOVIMENTO ABOLICIONISTA Em todas as outras nações do continente americano, a escravidão já havia sido abolida. Só nós os...
A missão do brasil como pátria do evangelho. - IV (3005 Acessos)
INCONFIDÊNCIA MINEIRA Estamos no reinado de D. Maria I, a Piedosa, a qual, escravizada ao seu fanatismo religioso e ás opiniões dos...
A missão do brasil como pátria do evangelho. - III (4064 Acessos)
A ESCRAVIDÃO NO BRASIL. Durante três longos séculos, o Brasil viveu a página negra da escravidão. É comum se atribuir esse...


Adicione este artigo nas suas redes sociais!