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Para Refletir...

"A arte de ouvir é, também, a ciência de ajudar." - Joanna de Ângelis

 

Como enfrentar o horror de falar em público

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É sempre impressionante observar pessoas experientes, com grande capacidade, boa formação escolar, cultas, que, ao falar em público, comportam-se como se não tivessem todo esse potencial. Ao invés de falar bem, com calma, fluidez, técnica e naturalidade, as manifestações mais comuns observadas são ansiedade, medo, nervosismo, pavor, pânico.

E tudo isso é expressado através de reações físicas como gagueira, tremedeira, sudorese, "branco", taquicardia, rubor, vontade de ir ao banheiro e, na maioria dos casos, uma grande vontade de sair correndo daquela terrível situação, causando uma impressão ruim na audiência.

O curioso é que esse panorama é comum. De um modo geral, todas as pessoas, em maior ou menor grau, sentem essa ansiedade e algumas dessas manifestações no corpo. Mesmo as mais experientes, como artistas ou palestrantes.

É comum ouvir relatos sobre ansiedades ou medos na hora em que se levantam e posicionam-se diante de outras pessoas para falar.

O que ocorre é que, quando uma pessoa se levanta para falar, fica em evidência e, a partir daí, corre um grande risco de ser mal interpretada, de que as suas idéias não sejam aceitas, de que não consiga impressionar ou agradar os ouvintes. Isso gera uma ansiedade tão grande, fazendo com que o próprio corpo se encarregue de expressar essas tensões.

Mas, afinal, quais são as causas geradoras do medo ou "horror" de falar em público?

Educação rígida demais

Essa tem sido a causa mais comum, que tem gerado muitas frustrações quando uma pessoa torna-se adulta. Pais excessivamente castradores, impedindo o desenvolvimento natural da criança, muitos "nãos", ameaças, castigos, o impacto gerado por uma crítica severa, como por exemplo "Você não serve para nada mesmo...", "Você não faz nada direito...", "Você não presta...", "Não faça isso..." ou "Cale a boca...".

No decorrer do tempo, aparentemente, esses estímulos negativos são até esquecidos e nem os próprios pais, professores, avós, irmãos mais velhos ou até religiosos tiveram a intenção de deixar essas marcas tão negativas ou profundas.

Só que o impacto que isso pode gerar na cabeça de uma criança livre de defesas tem um efeito devastador e altamente destrutivo. Muitas seqüelas desse tipo de educação castradora aparecem na vida adulta, através do medo de desagradar ou medo da crítica, impedindo uma apresentação espontânea e natural.

Educação ou formação excessivamente protetora

A família em que a criança é protegia e amparada excessivamente pode, num primeiro momento, nos soar como a ideal, afinal, vivemos em um mundo complicado, cheio de maldades, violência e desrespeito. O que ocorre é que essa criança é colocada em uma redoma de vidro, ou seja, é afastada de todas as informações que possam gerar algum tipo de risco.

Só que chega um momento em que ela tem que estudar, conviver com outras crianças e é nesse processo de socialização que começam também os problemas, continuando na adolescência e na vida adulta, onde a pessoa tem de ir à luta, trabalhar, viver a sua própria vida. O problema, nesse caso, é que ela não foi forjada para a luta, para ter coragem de enfrentar e combater as adversidades, para dizer não. Sem dúvida, esse é um caso gerador de timidez ou fobias sociais.

Experiências mal-sucedidas

Qual a pessoa que não teve de se expor em algum momento da vida, diante de outras pessoas? Pode ser que tenha sido na escola, na incumbência da apresentação de um simples trabalho, junto com amigos ao expor um pensamento ou até mesmo contando uma simples piada ou dando uma aula.

Em alguns casos, a experiência é tão negativa que, muito embora a pessoa estruture seu conteúdo, não se prepara para sentir aquela tremedeira, aquela ansiedade, aquele momento tão complicado. Isso gera, em muitas situações, um verdadeiro trauma, que pode ser perpetuado pelo resto da vida. É óbvio que todas as vezes que essa pessoa tiver de falar em público ela irá reviver essas sensações negativas e irá escolher fugir do que enfrentar, acomodando-se nas famosas "zonas de conforto" e encontrando desculpas esfarrapadas para justificar o seu insucesso ou o seu fracasso.

Falta de experiência

É natural, quando temos uma primeira experiência na vida, não conseguirmos o melhor resultado desejado. Não é na sua primeira apresentação que um orador conseguirá a sua melhor performance. Não é na primeira aula que o professor conseguirá envolver melhor os alunos. Também é natural que as primeiras experiências gerem medo e ansiedade mas, tratando-se de uma pessoa normal, sadia, ela sabe que isso faz parte de um processo de aprendizagem e, como em uma escada, sabe que se sobe um degrau de cada vez e, assim, irá naturalmente se desenvolver, acrescentando novos conhecimentos e experiências, de maneira consciente e gradativa aos conhecimentos e experiências existentes.

Perfeccionismo

O mais aterrador para uma pessoa perfeccionista é descobrir que vive em um mundo imperfeito. Talvez sua maior frustração na vida seja saber que ela também é imperfeita, ou pior ainda, além de tantos defeitos, é também perfeccionista!

Quando uma pessoa normal, e isso é dito no sentido mais simples da palavra, alguém que tem medos e consciência de que está em um mundo aprendendo e apreendendo conhecimentos a cada momento, se depara com um novo desafio, encara duas possibilidades: ou irá enfrentá-lo ou irá fugir. Ao escolher enfrentar, prepara-se da forma que sabe e vai adiante. Restam ainda duas possibilidades: ou terá sucesso ou fracassará. De qualquer modo, reconhece que qualquer que seja o resultado será uma oportunidade para aprender algo novo.

Para o perfeccionista, no entanto, por melhor que tenha feito, mesmo que tenha se preparado e se esforçado ao máximo, ainda assim se sentirá um fracassado.

Pessimismo

Há, ainda, aquelas pessoas que trazem qualquer clima ambiental para baixo. Seu pessimismo é contagiante e a sua "energia" é extremamente negativa.

É lógico que essas pessoas, por melhor que possam fazer uma apresentação oral, não acreditam em seu próprio potencial e em sua capacidade. Consequentemente, saem-se mal. Isso quando conseguem pelo menos ter a ousadia de falar.

Mas, afinal, como enfrentar o medo de falar em público? Apesar de serem muitas as causas ou justificativas para o medo de falar em público, é certo que elas podem ser superadas.

Esse texto não pretende apresentar todas as soluções para esse problema. O que ele propõe é que cada um faça uma reflexão e tire o máximo de proveito das sugestões apresentadas, considerando que cada um de nós funciona de um jeito diferente, tem uma personalidade distinta, uma estrutura genética específica e experiências únicas de vida.

Auto-sugestão positiva

Esse é metade do caminho para qualquer jornada de transformação. Se uma pessoa não acredita nela mesma, quem irá acreditar?

Acreditar em si mesmo significa olhar para um espelho e enxergar do outro lado uma pessoa maravilhosa, dotada de inteligência, de virtudes, de valores, alguém capaz de realizar tudo aquilo que deseja e que não está no mundo para agradar e satisfazer o desejo de outras pessoas, mas sim para viver a sua própria vida com os seus limites e possibilidades, tendo os seus sucessos e alguns fracassos, mas vendo-se acima de tudo como uma pessoa vencedora que pode tanto quanto qualquer pessoa de sucesso pode.

Conhecer o público alvo

Se uma pessoa, ao preparar-se para falar com uma provável ou específica audiência, conhecer detalhes desse grupo, é natural que consiga estar melhor preparada técnica e, principalmente, psicologicamente. Saber, por exemplo, quantas pessoas estarão presentes, o nível cultural delas, se elas conhecem algo sobre o assunto que será abordado, o que esperam da apresentação, enfim, todos esses detalhes podem gerar mais conforto e maior tranqüilidade.

Conhecer o assunto

Mais do que isso, ter conhecimento profundo do que irá falar, preocupando-se em planejar, definindo uma estratégia de ação, escolhendo as ilustrações que poderá usar para rechear e tornar mais interessante a apresentação, coletando dados, estatísticas, confirmando informações, preparando-se para eventuais perguntas que os ouvintes poderão formular. Isso dá segurança.

Conhecer técnicas de comunicação

Talvez essa seja a grande dificuldade e o maior desafio, pois o nosso sistema educacional não prepara as pessoas para falar, principalmente para falar em público.

Aprender e desenvolver técnicas de retórica, uso adequado das mãos em gesticulação, voz bem administrada, envolvendo e encantando as pessoas, uso de metáforas, exemplos, histórias, estratégias para neutralizar resistências, desenvolver e controlar as emoções através da inteligência emocional, técnicas de empatia, de ampliação de vocabulário e de memorização, são recursos poderosos e preciosos que ajudam as pessoas a terem maior autocontrole.

Administrar a tensão inicial

Manter a calma, transformar a energia despendida em tensões e medos em uma energia produtiva e positiva, canalizada para a voz, eloqüência, olhar, expressão facial e corporal é algo que pode ser conseguido através de algumas simples técnicas de relaxamento. Respirar fundo, pensar algo positivo, ouvir uma música suave, ler um texto otimista, são algumas sugestões que podem ajudá-lo nesse momento tão difícil. Esse instante pode ser comparado com aquele quando um atleta está prestes a partir para a sua atuação, sob a tensão do olhar e expectativa de todas as pessoas.

Treinar

O exercício constante cristaliza o conhecimento e sedimenta o aprendizado, por isso, treine. Comece com apresentações simples, para um público conhecido e sem conseqüências, caso não seja bem-sucedido. Gradativamente, procure aumentar o grau de dificuldade. Parabenize-se, compre um presente para você mesmo a cada sucesso e assim, em curto prazo, estará dominando grandes platéias e transformando em prazer o medo e o conseqüente sofrimento de falar em público.

 

 

 

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