1

Para Refletir...

"A caridade é um exercício espiritual... Quem pratica o bem, coloca em movimento as forças da alma." - Chico Xavier

 

Educação para a Morte

PDFImprimirE-mail
Avaliação do Usuário: / 1
PiorMelhor 
Nascimento e morte são fenômenos biológicos interpenetrados. A vida e a morte constituem os elementos básicos de todas as vidas, que, por isso mesmo, são também mortais. O importante é mostrar, objetivamente, que a vida é o caminho da morte, mas que a morte não é o fim da existência humana, pois esta prossegue nas hipóstases espirituais do universo, nas quais o espírito se renova moralmente e se prepara com vistas a novas encarnações na linha da evolução ôntica da humanidade.
É o que nos ensina Herculano Pires no livro “Educação para a Morte”, do qual incluimos alguns trechos, a seguir:
“É curioso notar que em nosso tempo só cuidamos da Educação para a Vida.”
Capítulo I - Educação para a Morte, excertos:
“Vou me deitar para dormir. Mas posso morrer durante o sono. Estou bem, não tenho nenhum motivo especial para pensar na morte neste momento. Nem para desejá-la. Mas a morte não é uma opção, nem uma possibilidade. É uma certeza. Quando o Júri de Atenas condenou Sócrates à morte, ao invés de lhe dar um prêmio, sua mulher correu aflita para a prisão, gritando-lhe: “Sócrates, os juízes te conderaram à morte” . O filósofo respondeu, calmamente: “Eles também já estão condenados”. A mulher insistiu no seu desespero: “Mas é uma sentença injusta!” E ele perguntou: “Preferias que fosse justa?” A serenidade de Sócrates era o produto de um processo educacional: a Educação para a Morte. É curioso notar que em nosso tempo só cuidamos da Educação para a Vida. Esquecemo-nos de que vivemos para morrer. A morte é nosso fim inevitável. No entanto, chegamos geralmente a ela sem o menor preparo. As religiões nos preparam, bem ou mal, para a outra vida. E depois que morremos encomendam o nosso cadáver aos deuses, como se ele não fosse precisamente aquilo que deixamos na Terra ao morrer, o fardo inútil que não serve mais para nada.
Quem primeiro cuidou da Psicologia da Morte e da Educação para a Morte, em nosso tempo, foi Allan Kardec. Ele realizou uma pesquisa psicológica exemplar sobre o fenômeno da morte. Por anos seguidos falou a respeito com os espíritos de mortos. E, considerando o sono como irmão ou primo da morte, pesquisou também os espíritos de pessoas vivas, durante o sono. Isso porque, segundo verficara, os que dormem saem do corpo durante o sono. Alguns saem e não voltam: morrem. Chegou, com antecedência de mais de um século, a esta conclusão a que as ciências atuais também chegaram, com a mesma tranquilidade de Sócrates, à conclusão de Victor Hugo: “Morrer não é morrer, mas apenas mudar-se”.
“A educação para a Morte não é nenhuma forma de preparação religiosa para a conquista do Céu. É um processo educacional, que tende a ajustar os educandos à realidade da Vida, que não consiste apenas no viver, mas também no existir e no transcender.”
Capítulo II - Conceito Atual da Morte, excertos:
“Em 1940, o Prof. Rhine anunciava a comprovação científica da telepatia, logo seguida das provas de outros fenômenos. Declarou a seguir a existência de um conteúdo extrafísico no homem, com a aprovação de pesquisadores da Universidade de Londres, de Oxford e de Cambridge. Seguindo o esquema de pesquisas de Kardec, mas agora enriquecido de novos métodos e do auxílio de aparelhagem tecnológica, fez esta proclamação que provocou protestos dos conservadores: “A mente não é física, e por meios não físicos age sobre a matéria. O cérebro é simplesmente o instrumento de manifestação da mente no plano físico”.*
(…) “Ressurgiu assim, no seio das próprias ciências, a concepção do homem como espírito e o conceito da morte como simples descondicionamento do ser, envolvido e condicionado na forma humana carnal, de origem animal. Restabelece-se também a idéia cristã da morte como libertação que reintegra o morto na sua dignidade humana, vivo e ativo”.
(…)”A Educação para a Morte é, portanto, a preparação do homem durante a sua existência, para a libertação do seu condicionamento humano. Libertando-se desse condicionamento, o homem se reintegra na sua natureza espiritual, torna-se espírito, na plenitude de sua essência divina”.
“Desconhecendo a complexidade do processo da vida, o homem terreno sempre se apegou, principalmente nas civilizações ocidentais, ao conceito negativo da morte como frustração total de todas as possibilidades humanas.”
Capítulo III - Os Vivos e os Mortos, excertos:
“As pesquisas científicas da natureza humana, particularmente no campo dos fenômenos paranormais, chegam a provas incontestáveis da sobrevivência do homem após a morte. Essa sobrevivência implica naturalmente a existência de planos espirituais (as hipóstases) em que a vida humana prosegue. O desenvolvimento da Física em nossos dias levou os cientistas à descoberta da antimatéria, das dimensões múltiplas de um Universo que considerávamos apenas tridimensional, à conquista dos antiátomos e antipartículas atômicas que podem ser elaboradas em laboratórios, como têm sido elaborados. A existência das hipóstases já não é mais uma suposição, mas uma verdade comprovada. O corpo bioplásmico do homem, bem como o dos vegetais e dos animais, foi tecnologicamente comprovado. Os mortos não podem mais ser considerados mortos. O que morreu foi apenas o corpo carnal dessas criaturas, que Deus não criou como figuras de guinol para uma rápida passagem pela Terra. Seria estranho, e até mesmo irônico que, num Universo em que nada se perde, tudo se transforma, o homem fosse a única exceção perecível, sujeito a desaparecer com seus despojos.”*
(…) “Revezamo-nos na Terra e no Espaço porque a lei de evolução exige o nosso aprimoramento contínuo. Se no plano espiritual os limites de nossas possibilidades de aprendizado se esgotam, por falta de desenvolviemnto dos potenciais anímicos, retornamos às duras experiências terrenas. A reencarnação é uma exigência do nosso atraso evolutivo, como a semeadura da semente na terra é a exigencia básica da sua germiação e do seu crescimento. Assim, nascimento e morte são fenômenos naturais da vida, que não devemos confundir com desgraça ou castigo. Só os homens matam para vingar-se ou cobrar dívidas afetivas. Deus não mata, cria.”*
“Nascimento e morte determinam o trânsito especial entre o Céu e a Terra. Dia e noite, sem cessar, descem e sobrem os anjos pela escada simbólica da visão bíblica de Jacó. Anjos são espíritos, e o Apóstolo Paulo esclareceu que são mensageiros. Trazem e levam mensagens de um plano para o outro. São mensagens de amor, de estímulo, de orientação e encorajamento. As mensagens são dadas, na maioria, através de intuições, na Terra, aos destinatários encarnados. Mas há também as que são dadas por via mediúnica, através de um médium, ou por sonhos. Essa comunhão espiritual permanente é conhecida desde as épocas mais remotas. Mas só em 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, em Paris, o problema foi encarado como positivo e levado à consideração dos sábios e das instituiçãos científicas”.
Cap. VIII - A Escada de Jacó, excertos:
“Nas sessões espíritas, em todo o mundo, milhares de pessoas conseguem conversar com amigos e parentes mortos, que dão provas evidentes de sua sobrevivência após a morte. As restrições dos sistemáticos e preconceituosos continuam, mas a realidade se impõe de tal maneira que essas restrições já diminuiram assustadoramente. A Terra se espiritualiza, apesar do materialismo das religiões. E a morte já não amedronta milhares dos milhões de criaturas que morrem todos os dias.
Geralmente, não se pensa no que isso representa para a Humanidade. Entregues às suas preocupações absorventes do seu dia a dia, homens e mulheres ainda vivem na Terra como há milhões de anos. Cuidam da vida sem se preocuparem com a morte. Essa posição anestésica é útil na Terra, mas desastrosa nos planos espirituais. Nas manifestações de espíritos (fenômenos teta) pode-se avaliar o prejuízo causado às criaturas por essa alienação à matéria. Embriagados por seus anseios de conquistas materiais, praticamente tragados pela vida prática, a maioria dos que morrem não têm a menor noção do que seja a morte. Entram em pânico após o trespasse, apegam-se depois a pessoas amigas de suas relações, perturbando-as sem querer ou procurando, através delas, sentirem um pouco da segurança perdida na Terra. Além desses prejuízos, a falta de educação para a morte causa o prejuízo maior dos desesperos, angústias existenciais e loucuras que hoje varrem a Terra em toda a sua extensão. Por outro lado, é preciso considerar-se os prejuízos imensos produzidos pela ignorância das finalidades da vida.”*
“Não devemos carregar nas promessas de além túmulo, pois não se promete o que não se pode dar, mas ensinar que só se levará, na mudança da morte, a bagagem das conquistas que se realizar aqui, na vida terrena. Não seremos premiados, mas pagos, na outra vida, justamente pagos por tudo o que dermos gratuitamente nesta vida. . (…) Devemos substituir as idéias de recompensa, pelas de consequência. “
Capítulo XI, O Ato Educativo, excertos:
“O ato educativo, no processo de educação para a morte, revela-se ainda mais profundo e siginificativo do que na educação comum. Começa pelo chamado de uma consciência esclarecida e madura às consciências imaturas, para se elevarem acima dos conceitos errôneos a que se apegam.”
(…) “Temos de mostrar que o morto não é um cadáver, mas um ser imortal que, ao passar pela vida e a morte, enriqueceu-se de novas experiências, adquiriu mais saber, desenvolveu suas faculdades ou potencialidades divinas.”
“O mandamento do amor ao próximo deve ser colocado em plano racional, livre das ameaças opressivas e do emaranhado das conveniências imediatistas. Mostrar que o Amor a Deus, a mais elevada forma de amor existente na Terra, não é feito de medo e terror, mas de compreensão; não se dirige a um mito, mas a uma Consciência, que nos impulsiona na prática da justiça e da bondade, sem discriminações de espécie alguma.”
“A fase mais difícil do processo educativo é a que dá a compreensão do desapego dos bens passageiros do mundo, sem desprezá-los, como forma de preparação para as atividades de abnegação amorosa que devemos exercer depois da morte.“*
“A convivência humana é entretecida de interesses, desconfianças, despeitos e aversões, sobre um pano de fundo em que o amor, a simpatia e o respeito oferecem precária base de sustentação. Grande parte dessa tecitura de malquerenças recíprocas provêm de motivos ocultos, provenientes de invejas e ciúmes. Porque uns são mais dotados do que outros e a vaidade humana não permite aos inferiorizados perdoar os mais agraciados pela Natureza ou pela Fortuna. O problema da reencarnação explica essas diferenças, muitas vezes chocantes, e alenta aos infelizes com esperanças racionais, mostrando-lhes que cada um de nós é o responsável único pelo seu condicionamento individual.“*
“A morte é um fenômeno natural, de natureza biológica, no qual se verifica o esgotamento da vitalidade nos seres pela velhice ou por acidentes fisiológicos. Não atinge a essência do ser, que é sempre de natureza espiritual, referindo-se apenas ao corpo material, o que vale dizer que ela não existe como extinção das formas de ser das plantas, dos animais e dos homens”.
Capítulo XIII - A Consciência da Morte, excertos:
“Temos de nos familiarizar com a morte, considerando-a com naturalidade, não a transformando em tragédia ou em espetáculos inúteis de desespero. Nas sessões espíritas cuida-se muito desses casos, procurando-se despertar os mortos de suas confusões produzidas pelo apego à Terra* e integrá-los na nova forma de vida para que passaram. Eles não são tratados como almas do outro mundo, mas como companheiros da vida terrena que se libertaram do condicionamento animal por retornarem ao seu mundo de origem, que é o espiritual*. Os adversários da doutrina criticam esse processo mediúnico, alegando que criaturas ainda encarnadas nada têm para ensinar às que já se livraram do corpo material. Mas desde as pesquisas de Kardec até aos nossos dias, o processo de doutrinação tem dado os melhores resultados, tanto em favor de espíritos perturbados pela passagem súbita ao plano espiritual, quanto no esclarecimento de pessoas que sofrem a influência dessas entidades. Isso se explica por suas razões fundamentais, quais são as seguintes:
1 - A doutrinação é a transmissão de ensinos dos desencarnados superiores dados a Kardec, através da mediunidade, para a renovação moral e espiritual da humanidade. Apoiados no conhecimento desses ensinos, é que os médiuns e os doutrinadores atendem as entidades desencarnadas.
2 - As pesquisas de cientistas eminentes, como Richet, Crooks, Zollner, no século passado, e Gelley, Osty, Crawford, Soal, Carington, Pratt, Price, na atualidade, provaram que nos ambientes mediúnicos, a emanação do ectoplasma ampara os espíritos desencarnados e inseguros no plano espiritual, dando-lhes a sensação de segurança física necessária para conversarem com os doutrinadores como se estivesses encarnados*. A situação dos espíritos recém desencarnados, no Plano Espiriutal, não lhes permite a lucidez necessária para compreender facilmente os ensinos que recebem das pessoas que dirigem o trabalho mediúnico.
Esse intercâmbio se processa em benefício dos espíritos e dos homens, sem nenhum sistema de evocações e rituais*. Os espíritos se manifestam por sua livre vontade, desejosos de comunicar-se após a morte do corpo físico, com familiares e amigos que deixaram na vida terrena. Essas manifestações naturais marcam toda a História da Humanidade, em todo o mundo e em todos os tempos, sem nenhuma interrupção.”
Artigos Relacionados:
Desmistificando o fenômeno da morte (3963 Acessos)
Segundo Kardec, na partilha da felicidade, a que todos aspiram, não podem estar confundidos os bons e os maus  A inevitabilidade do...
Nascimento da Educação Espírita (1250 Acessos)
Cada fase da evolução histórica é marcada por uma nova concepção do homem e do mundo. É conhecido o esquema formulado por Augusto...
A Morte – segundo o livro: “Evolução em Dois Mundos” (2252 Acessos)
 "É assim que a consciência nascente do homem pratica as lições da vida, no plano espiritual, pela desencarnação ou libertação da...
Convite para um encontro - GFLM (3669 Acessos)
Sem dúvida alguma a semana de comemoração dos 35 anos do Grupo da Fraternidade Leopoldo Machado foi um sucesso e, com certeza atingiu...
Morte de crianças (991 Acessos)
O desencarne na infância, mesmo em circunstâncias trágicas, é bem mais tranqüilo, porquanto nessa fase o Espírito permanece em...


Adicione este artigo nas suas redes sociais!